Vista panorâmica de Saqsayhuaman

Vale Sagrado: Tipon, Pikillaqta, Pisac, Tambomachay, Puka Pukara, Q’enqo, e Saqsayhuaman

O primeiro dia de passeio pelo Vale Sagrado dos Incas incluiu os seguintes locais: TiponPikillaqta, Andahuaylillas (que é pago à parte), Pisac, Tambomachay, Puka Pukara, Q’enqo e Saqsayhuaman. Partimos de manhã cedo de Cusco em nosso carro e só retornamos no final da tarde.

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Para visitar esses locais é necessário adquirir o boleto turístico antecipadamente.

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Para compreender a importância de cada um dos sítios é essencial estar com um guia ao lado, do contrário, o passeio pode se tornar um vazio em ruínas.

Muitos turistas fazem o passeio pelo Vale Sagrado em apenas 1 dia, mas preferimos conhecer todos os locais em 2 e tivemos que correr para ver tudo! Uma coisa é fato: NÃO tem como visitar todo o Vale Sagrado em um único dia.

Vale Sagrado: Tipon, Pikillaqta, Pisac, Tambomachay, Puka Pukara, Q’enqo, e Saqsayhuaman

O que é o Vale Sagrado dos Incas?

O que conhecemos como Vale Sangrado dos Incas são vários sítios arqueológicos localizados em pequenos povoados nos Andes peruanos (próximos à cidade de Cusco) que, pela sua geografia, eram utilizados pelos Incas para a agricultura (principalmente o cultivo de milho) e para práticas religiosas.

Visitando essas localidades com um bom guia, será possível compreender o modo de viver dos Incas, como as suas incríveis técnicas de construção, sistema de irrigação, organização da sociedade e religião.

Roteiro do primeiro dia

No primeiro dia de tour pelo Vale Sagrado, em carro próprio, visitamos ao todo 7 sítios arqueológicos, uma igreja e um museu.

O passeio foi feito na seguinte ordem:

⨷ Tipon

⨷ Laguna Huacarpay

⨷ Pikillaqta

⨷ Andahuaylillas

⨷ Almoço

⨷ Pisac

⨷ Tambomachay

⨷ Puka Pukara

⨷ Q’enqo

⨷ Saqsayhuaman

O tour durou o dia inteiro (das 8h às 17h) e pegamos tempo aberto com sol, céu nublado e chuva. Por isso, é importante estar preparado com algum guarda-chuva ou capa de chuva, além de casaco e repelente.

Locais visitados

Embora, à primeira vista, pareça tudo igual, cada sítio tem a sua característica própria, sendo que alguns são, inclusive, pré-Incas. Imagine o Império Inca foi de 1438 a 1533, mas que nessa região habitaram povos muito mais antigos, como os Wari (Huari), que viveram por lá aproximadamente no ano 500 d.C.

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Os nomes dos sítios aqui referidos estão escritos exatamente como consta no boleto turístico. 

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Tipon

O primeiro lugar que visitamos chama-se Tipon que, segundo o nosso guia, foi construído depois dos Incas se certificarem que ali havia água. De acordo com ele, antes de se estabelecerem em qualquer lugar, os Incas inicialmente procuravam água, depois faziam o sistema de irrigação, para então construir uma cidade.

Tipon

Em uma linguagem bem simples, podemos dizer que nesse local os Incas escavaram o morro fazendo degraus e o mais incrível disso tudo é que cada degrau tem uma variação de 1 grau na temperatura.

Em Tipon podemos ver claramente o complexo sistema de irrigação que se mantém até hoje, sendo abastecido com a neve derretida dos Andes.

Outra informação que nos deixou impressionados foi em relação à técnica Inca de construção dos muros. As pedras eram encaixadas umas nas outras, como pecinhas de lego! Além disso, os muros Incas eram inclinados, de forma a possibilitar uma maior estabilidade.

peru-tipon

Arquitetura de Tipon, o sistema de irrigação e pedra com corte para encaixe

Laguna de Huacarpay

Após essa primeira aula sobre a cultura Inca, continuamos o passeio em direção ao segundo sítio, quando vimos uma paisagem digna de papel de parede para computador: a Laguna de Huacarpay.

Maravilhados com aquela vista, resolvemos parar para tirar algumas fotografias, sem saber que a veríamos novamente no próximo local.

laguna-huacarpay

Pikillaqta 

Poucos minutos depois, estávamos no Parque Arqueológico de Pikillaqta, o segundo sítio visitado nesse roteiro. Foi um dos principais centros administrativos-cultistas da cultura Wari, povos pré-Incas que utilizavam outra técnica de construção. Os muros de Pikillaqta, feitos de pedra, barro e gesso, são retos, diferentemente dos muros inclinados dos Incas.

Depois de toda a explicação do guia, saímos experts em reconhecer se uma construção é Inca ou não!

O guia explicou que a palavra Pikillaqta vem do quechua “piki” (um tipo de pulga) e “llaqta” (cidade), sendo entendida como a “cidade das pulgas”, sinônimo de cidade pequena.

pikillaqta-vale-sagrado

Como a cidade era toda murada, vemos corredores de pedras por quilômetros, todos não muito altos, o que é uma característica dos Wari.

O que só descobrimos lá é que havia uma espécie de mirante para observação de aves direcionado para a linda Laguna de Huacarpay, de onde pudemos contemplá-la mais uma vez! Mas não lembro de ter visto aves por lá, rs.

Pegamos o carro e nos dirigimos a outro ponto do parque: a Portada de Rumiqolqa, uma barreira alfandegária que controlava a entrada e saída de Cusco.

pikillaqta

Na parte de superior as muralhas feitas pelos Wari e na parte inferior, o mirante para a laguna e os portões de pedra de Rumiqolqa

Andahuaylillas

Continuando o passeio, seguimos em direção ao distrito de Andahuaylillas, onde visitamos a sua maior atração: a  Iglesia de San Pedro Apóstol de Andahuaylillas, considerada a “Capela Sistina da América”.

Pertencente à Rota Barroco Andina, promovida pela Companhia de Jesus, a igreja de Andahuaylillas é realmente uma obra de arte, imperdível para aqueles que gostam de visitar igrejas e apreciam a arte sacra. Nós adoramos!

andahuaylillas

A entrada custa 15 soles por pessoa e recebemos um folheto e um CD com fotos das igrejas da Rota Barroco Andina. Com este ingresso, é possível visitar ainda mais duas outras igrejas da rota, mas que infelizmente não conhecemos.

Ao lado da igreja, há o Museo Ritos Andinos, um museu pequeno e pouco interessante, mas que custa tão pouco, que acabamos visitando porque estava lá do lado.

Recebemos umas cervejas diferentes de boas vindas e, por não ser apreciadora da bebida, não sei nem dizer se é boa ou não. Eu não gostei.

Nesse museu, descobrimos que existem milhares de espécies diferentes de milhos de diversos tamanhos e cores. Até milho preto nós vimos durante essa viagem pelo Peru!

andahuaylillas

Museo Ritos Andinos

Aprendemos também um pouco sobre os rituais e oferendas dos povos andinos, repletos de comidas e ossos humanos.

Dentre tudo que estava exposto, o mais bizarro era o esqueleto que diziam pertencer a um “alien“.

De qualquer forma, valeu a visita, pois, do contrário, ficaríamos sem saber o que tinha por lá e depois poderíamos nos arrepender.

Valor do ingresso: 3 soles

Após passearmos por Andahuaylillas, o nosso guia nos levou para almoçar em um restaurante chamado “La Hacienda”. Era um local bem simples e com comida caseira, mas nada excepcional. 

Pisac

O Complexo Arqueológico de Pisac concentra não só ruínas Incas e pré-Incas, mas também um mercado de artesanato muito famoso (parece que funciona a todo vapor nos domingos). Segundo o nosso guia, encontramos facilmente todos os artigos do mercado de artesanato em Cusco e nas outras cidades por onde passamos.

Com pouco tempo (faltava visitar ainda mais 4 sítios), resolvemos nos contentar com a pequena feirinha de artesanato que fica na entrada do parque.

Duas coisas chamam a atenção em Pisac:

– Os cortes feitos na montanha, formando verdadeiros degraus de grama;

– Os buracos nas montanhas usados como urnas funerárias de corpos mumificados – nossas fotos das urnas não ficaram muito boas 🙁

 

pisac-vale-sagrado

O que impressiona em Pisac é a sua localização: 3.448 metros acima do nível do mar, local estratégico para defesa contra possíveis invasões. No aspecto religioso, os Incas acreditavam que, quanto mais alto, mais perto de Deus eles estariam. Em Pisac, eles estavam quase chegando lá!

Veja também: Roteiro de viagem de carro pelo Peru

Entrada de Pisac, feirinha, construções, cortes na montanha, os buracos na pedra para enterrar as múmias e a estradinha que percorremos até chegar lá

Tambomachay

E quando a gente achava que já tinha ido alto demais, chegamos a Tambomachay, sítio situado a 3.765 metros de altitude. Haja fôlego!

Tambomachay vem da palavra quechuaTampumachay”, que significa “lugar de descanso”, destinado ao culto à água. Não é a toa que vimos um incrível sistema hidráulico desenvolvido pelos Incas que flui pelos aquedutos há muitos e muitos anos.

tambomachay

Esse foi o sítio que passamos menos tempo porque começou a chover na hora que estávamos por lá e ainda precisávamos conhecer o próximo sítio, mesmo que debaixo de chuviscos.

Puka Pukara

Aumentando o passo para conhecer Puka Pukara antes que pudesse cair um temporal, conseguimos ter tempo para dar uma volta pelas muralhas dessa fortaleza militar conhecida como a “fortaleza vermelha”, denominação que vem do quechua “puka”, que significa vermelho, e “pukara”, fortaleza.

puka-pukara

Com uma enorme nuvem cinza pairando sobre a gente, não havia muito tempo para ficar pelo sítio, pois visitaríamos ainda mais dois lugares! Mesmo assim, deu para ter uma noção geral da estrutura do local.

pukapukara

A entrada, a fortaleza e brincadeiras pelas muralhas

Q’enqo

Correndo não só da chuva, mas também dos ônibus lotados de turistas, chegamos a Q’enqo, um sítio formado por pedras onde eram realizados sacrifícios religiosos. Ele é formado por um anfiteatro semi-circular e algumas galerias subterrâneas.

q-enqo

Um dado curioso é que pelo labirinto há uma espécie de caverna que conserva a mesma temperatura todos os dias, não sofrendo interferência dos raios solares. Segundo o guia, essa temperatura regular é perfeita para os processos de mumificação realizados dentro da rocha.

Por ser um sítio pequeno, a visita não demora muito e de lá já seguimos viagem até o último sítio a ser explorado naquele dia.

quenqo

A entrada, as rochas, caminhos entre as pedras, local de mumificação, um pequeno detalhe e a vista que se tem da cidade

Saqsayhuaman

Diante da dificuldade em pronunciar o nome Saqsayhuaman, o nosso guia gente fina tratou de simplificar – basta falar: “Sexy Woman”, disse ele!

Sorte nossa que tivemos a oportunidade de visitá-lo por último, pois o local é tão imponente, que acaba ofuscando os demais sítios visitados.

Saiba mais: Documentação para viajar ao Peru de carro

saqsayhuaman-peru

Talvez um dos mais importantes sítios do Vale Sagrado, essa grande fortaleza foi construída com pedras ENORMES, cuidadosamente polidas pelos milhares de “trabalhadores” que ajudaram a edificá-lo.

O grande enigma é saber como os Incas tiveram a capacidade de transportar e polir pedras que pesavam toneladas!!! Os muros de Saqsayhuaman são feitos de rochas muito, mas muito grandes e perfeitamente encaixadas. Se é difícil imaginar tamanha engenhosidade nos dias de hoje, imagine que as obras foram realizadas há mais de 500 anos!

saqsayhuaman

Porta de pedra, subida entre as rochas, uma pedra ENORME que pesa toneladas, panorama de Saqsayhuaman, peruanos reunidos e o Cristo que fica próximo ao local

E bem do ladinho do sítio, há um mirante com uma estátua de Cristo no alto e com uma vista interessante de Cusco.

Esse primeiro circuito pelo Vale Sagrado foi um dia de muito aprendizado sobre a cultura dos povos que ali habitavam. Acredito que nunca mais teremos dificuldade de afirmar se um muro é Inca ou não!

Quanto custou?

O passeio pelos sítios do Vale Sagrado varia muito de agência para agência e depende muito do tipo de passeio (excursão ou tour privado) e quantos sítios a pessoa pretende conhecer.

Como estávamos no nosso carro, conseguimos um guia para ir junto com a gente (4 pessoas + 1 guia).

O valor cobrado foi de U$ 70 por dia e rateamos esse valor entre todos pagando cada um U$ 17,50 para cada dia. Por uma questão de gentileza e por termos gostado do seu serviço, bancamos também o almoço dele, que no restaurante acima citado saiu por 18 soles por pessoa (um pouco menos de 18 reais).

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Leia também:

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13 Comentários

  1. Calabelle Neves

    Olá Gabriela!
    Seus posts estão muito gostosos e interessantes de ler, parabéns! ☺
    Você vai fazer algum sobre a ida a Machu Picchu? Englobando sobre a compra de ingressos e outras coisas?
    Espero que sim! Estou pretendendo ir para lá de carro também e saindo de Manaus, mas ainda estou reunindo informações e a sua série é a mais atual que encontrei

    • Olá, Calabelle! Tudo bem?
      Sim, irei escrever mais postagens sobre o Vale Sagrado e tudo sobre a nossa ida a Machu Picchu. Tive que dar uma parada nos posts sobre o Peru porque acabei de retornar de uma viagem a trabalho para divulgar o Canadá e tenho alguns artigos para escrever sobre o país. Mas aos poucos vou intercalando postagens sobre o Peru com as do Canadá por aqui. Você já tem uma data da viagem?
      Caso tenha interesse, pode assinar para receber todos os nossos posts por email.
      Beijos e muito obrigada pela mensagem 😉

      • Calabelle Neves

        Aaah que bom saber que virão mais posts! ☺
        Até então pretendo ir no mês de agosto desse ano, por isso já estou começando a planejar, porque vai ser uma viagem bem longa.
        Onde eu consigo assinar pra ver quando as próximas postagens forem publicadas?

        • Sim, já estou programando o próximo post para breve!
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          Abraços

  2. Que lugares tão interessantes! Achei fantástico o nome de “cidade das pulgas” 😀 Sem dúvida que com um guia a visita fica muito mais rica, em especial se o guia tiver mesmo conhecimento sobre o sítio e a cultura, e que consiga explicar tudinho de forma clara. É bem bom quando se encontra um assim 🙂

    • Olá, Catarina! Tudo bem?
      Essa viagem de carro pelo Peru foi fantástica! Aprendemos tanto sobre os povos andinos, especialmente os Incas. Com certeza que o fui foi essencial para que compreendêssemos a rica história desse país incrível que é o Peru 😉
      Os sítios eram muito interessantes, inclusive o da cidade das pulgas, que era pré-Inca.
      Abraços

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