Persépolis: a joia preciosa do Irã

Persépolis, capital do Império Aquemênida (Pérsia), de figuras conhecidas como Ciro (o Grande), Dario e Xerxes. Terra também invadida por Alexandre, o Grande, rei da Macedônia. Já ouviu falar de algumas dessas figuras? Se ao menos você assistiu ao filme 300, lembrará do ator Rodrigo Santoro, que representava ninguém menos que o rei persa Xerxes.

Esse patrimônio da humanidade, de mais de 2500 anos de história, já foi um item da nossa bucket list e que, felizmente, riscamos da listinha de lugares para conhecer. Verdade seja dita: Persépolis foi um dos grandes motivos de termos incluído o Irã no roteiro.

Com construções que remontam ao ano 515 a.C., embora a cidade tenha tamanha importância para a história do mundo, suas ruínas parecem deixadas de lado pelo governo iraniano. Seria por causa do zoroastrismo, a religião praticada durante o império, tão diferente da religião oficial da República Islâmica do Irã?

De fato, há pouquíssimos turistas (não iranianos) visitando um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo. Imagem muito diferente do que vimos na Acrópole de Atenas, por exemplo. E novamente um turbilhão de perguntas pairam sobre nossas cabeças procurando motivos para a presença de tão poucos turistas:

Será porque as pessoas têm medo de ir ao Irã?

Ou talvez porque não estudamos o assunto nas aulas e não conhecemos sua história?

Não sei se é o seu caso, mas lembro que nas aulas de história estudávamos os povos da antiguidade sem nenhuma correlação com a atualidade. E, além disso, havia uma atenção especial voltada para a Grécia e  para o Egito.

Sempre ficou muito claro para você que Mesopotâmia é o que hoje conhecemos como Iraque, Constantinopla é hoje Istambul ou que os Fenícios habitavam a região que atualmente é o Líbano? Se não, saiba que você não está sozinho! Só me dei conta de tudo isso anos mais tarde, quando já tinha um pouco de maturidade para perceber que o mundo era maior do que eu imaginava.

Bem, voltando a falar de Persépolis, a sua entrada se dá através do  portão de todas as nações (Gate of All Nations), construído a mando do imperador persa Xerxes I.

Entrada de Persepolis Irã

A entrada monumental de Persépolis

Já nos primeiros passos dentro da cidade histórica, percebemos o porquê daquele lugar ter sido declarado patrimônio da UNESCO.

Colunas de pedras decoradas com desenhos trabalhados nos mínimos detalhes e cheios de simbologia, de tal forma que escapam, e muito, do pouco conhecimento que tenhamos sobre o local. Mesmo assim, as figuras são tão bem feitas que até aqueles que não sabem muito sobre o que aconteceu ali há milhares de anos, farão algum tipo de reflexão sobre o que viram.

Os lamassus, figuras de animais com a cabeça de humano, em corpos de bois ou leões alados, eram as divindades protetoras da cidade e por isso foram esculpidas no portão principal de entrada.

Portas de Persépolis

Alguns detalhes do portão de todas as nações, com a presença dos lamassus

Não são apenas os desenhos da era pré-cristã que ganham destaque. Vimos também inscrições feitas por visitantes (ocidentais) que estiveram em Persépolis em épocas mais recentes, como em 1931, 1899 e 1810!!! É isso mesmo! Pessoas que visitaram a cidade no século XIX escreveram seus nomes e datas em que estiveram por lá! Embora tenhamos contato direto com boa parte das ruínas, algumas já se encontram protegidas por vidros pra evitar justamente a sua destruição.

De qualquer forma, essas inscrições já são relativamente antigas de maneira que se incorporaram à história do local e acabaram virando uma atração à parte!

Inscricoes nas Pedras de Persepolis

Inscrições feitas por visitantes em 1810, 1899 e 1931

Assim como os templos Angkor, no Camboja, muito de Persépolis ainda pode ser literalmente tocado, sentido, o que de certa forma está longe do ideal quando falamos em preservações de locais históricos.

Falando em preservação (ou a falta dela), a cidade foi incendiada e parcialmente destruída por Alexandre, o Grande. Dentre as hipóteses destacadas pelos historiadores, uma delas seria uma possível vingança de Alexandre a Xerxes, já que este foi responsável pelo incêndio da Acrópole, em Atenas.

Visitando as ruínas de Persépolis com nosso amigo e guia Mohammad, um apaixonado pela cultura persa!

Você tenta reconstruir Persépolis na sua cabeça, só que o seu conceito de cidade é tão diferente que é necessário muita inspiração nos filmes hollywoodianos para nos ajudar a imaginar como era a capital do Império Aquemênida no seu auge.

Ruinas de Persepolis

Algumas ruínas pelo caminho

Construções que ficaram de pé durante todos esses anos

As ruínas de Tachara, onde ficava o palácio de Dário, o Grande

Evidências sugerem que o local foi escolhido por Ciro, o Grande, o fundador do Império Aquemênida, mas que as construções apenas começaram sob o reinado de Dario I, o terceiro rei do império.

A título de curiosidade, ficamos sabendo que, com a tomada do poder pelos Aiatolás e a consequente imposição de regras rígidas sob a lei islâmica, muitas pessoas passaram a dar nomes árabes a seus filhos. Alguns exemplos de nomes árabes são: Fátima, Mohammad, Nader, Omar, dentre outros. No entanto, muitos iranianos ligados às raízes persas vêm tentando resgatar esta cultura, inclusive escolhendo nomes de origem persa para seus descendentes. Foi assim que um amigo nosso deu ao seu filho o nome de “Kūrosh”, que é o nome persa de Ciro, o Grande!

A partir daí começamos a compreender a importância que Persépolis tem para muitos iranianos, do resgate de uma cultura milenar do seu próprio povo, colocada de lado pelo atual regime. Será que o governo fundamentalista (que manda no país desde a Revolução Islâmica de 1979) teria interesse em preservar um local onde foi cultuado outro deus que não o seu? Parece que não! Tanto que, com a expansão do islã, cultuadores do zoroastrismo foram perseguidos e considerados infiéis.

Entende agora por que não há tanto interesse na preservação das ruínas de Persépolis nem em manter o sítio como um atrativo turístico?

As ruínas estão carregadas de simbologia, de lendas persas, que, assim como os lamassus, lembram seres da mitologia grega, como uma ave em corpo de leão, por exemplo. Estando lá, diante de tantas imagens esculpidas, a sensação é de que você está vendo uma historinha em quadrinhos; histórias de reis sendo venerados, súditos lhes presenteando e figuras importantíssimas, como o leão devorando o touro, representando o Nowruz, que é o ano novo persa até hoje celebrado.

Iran Persepolis

Detalhes das ruínas históricas de Persépolis

Desenhos na pedra em Persepolis

No sentido horário: um dos reis, o animal devorando o outro, marcando o início de um novo ano, e súditos levando presentes ao rei

Como se não bastasse esse grande museu a céu aberto, há um museu interno com amostras de objetos coletados no local, como ferramentas, vasos, selos esculpidos em pedra, restos de cinzas do incêndio, dentre outros. Até uma documento de Xerxes gravado  em uma pedra, na escrita cuneiforme, faz parte desse super acervo!

Painéis com imagens persas, os selos feitos de pedra, vasos ornamentados e as inscrições em cuneiforme são algumas das atrações do museu

Por último, gastamos as últimas calorias subindo a colina ao fundo da cidade, onde chegamos perto das tumbas de Artaxerxes II e Artaxerxes III, ambos reis persas. Além de vermos a grandiosidade destes monumentos e todos os seus detalhes, tivemos a possibilidade de contemplar Persépolis lá embaixo, em ruínas, é verdade, mas que se mantém durante anos e anos para contar uma história milenar, de um povo que marcou o mundo para sempre.

Persepolis Imperio Aquemenida

As tumbas de alguns reis e a cidade vista do alto

Uma grande aula de história, bem diferente daquelas ensinadas em sala de aula, e que só quem pisa em Persépolis consegue compreender a grandiosidade do Império Persa!

A entrada do sítio arqueológico custa algo em torno de 4 euros para turistas não iranianos.

Veja alguns dos nossos melhores momentos em Persépolis:

Para chegar lá, o ideal é ir até uma cidade chamada Shiraz e fazer o bate e volta. Inclusive, podemos indicar um ótimo guia (caso tenha interesse, envie um email para [email protected]).

Leia também:

PATRIMONIOS DA UNESCO

Esta postagem participa da blogagem coletiva sobre Patrimônios da UNESCO, onde também fazem parte os seguintes blogs:

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55 Comentários

  1. Maxswell Lima da Silva

    Aprendi em 10 minutos o que eu não aprendi em um ano, estou adorando o blog.

  2. Realmente merecia mais atenção! Maravilhoso!

  3. Uma linda aula de história este post. E que tristeza ver que um lugar desses não tem o cuidado que merece. Independente de qualquer coisa, realmente foi um lugar de extrema importância para a humanidade.

  4. Adorei o post Gabi!

    Quando visito algum lugar incrível que não há muitos turistas, também fico me perguntando o motivo.

    E acredito que seja exatamente pela falta de informação. A mídia em geral e as escolas quase sempre nos informam somente sobre os mesmo lugares “clássicos”. Se a pessoa não tem aquela curiosidade afiada, muitas vezes nem fica sabendo que esses lugares existem!

    Abraço

    • Pois é! Completo desconhecimento das pessoas.
      Mas sabe que o pior não é nem o desconhecimento? Acho que é a informação errônea sobre o destino um dos principais motivos dos turistas não irem ao Irã. As pessoas confundem tudo e colocam todos os países do Oriente Médio no mesmo bolo, taxando todos, indistintamente, de terroristas. Isso que é triste 🙁
      Muito obrigada pela mensagem!

  5. Que lugar incrível!! Seu post me deixou com vontade de conhecer o Irã, deve ser muito interessante. 🙂

  6. Realmente é uma aula de história muito diferente da que estamos mais acostumados a ouvir. Deve ser incrível visitar estes lugares! Obrigada por compartilhar! 🙂

  7. Gabriela, super obrigada por este post fantástico!
    Muitas pessoas têm receio de visitar o Irã, mas você escreveu um post que deixou todo mundo com gostinho de conhecer o local. Parece ter sido uma viagem incrível e eu gostaria muito de conhecer também! Obrigada por compartilhar sua experiência! 🙂

  8. Gente, que lugar incrível! Realmente ouvi muito pouco sobre essas cidades e povos. Nossa educação é bem fraca sobre a historia de todos os povos (e sobre varias coisas, diga-se de passagem), mesmo para quem veio de “boas” escolas. Também aprendi a gostar de historia bem recentemente, e principalmente viajando.
    Acho sim que as pessoas tem medo de viajar pro Irã, bem como quase todo o Oriente Médio. O que é uma pena! Muito desse medo vem do completo desconhecimento e equívocos, atribuindo ao Irã situações que acontecem em algum outro pais, e/ou que são aumentadas.
    Obrigada por compartilhar essas joias conosco! Abraços

  9. Que história incrível!!! Realmente não me lembro de estudar isso na escola… Aliás, uma das coisas que mais gosto ao viajar é conhecer lugares que nos enriquecem muito mais que qualquer aula! Parabéns pelo post.

  10. Ah o Irã, esse gigante desconhecido nosso. Adoraria visitar. E Persépolis como Isfaham precisam estar no roteiro. Adoro seus posts 🙂

  11. Já tinha lido no smartphone e voltei para comentar, agora. Fiquei maravilhada e lembrei de minhas apaixonantes aulas de história na meninice, que tinha minha absoluta preferência. Levei para o leiturinhas Viajantes do mês, claro. BjO!!!

  12. Eiu ADOREI o post, de verdade, e acho que faltei dessa aula de história porque nunca tinha ouvido falar em Persepolis. Mas gracas a essa aula dada, já solucionamos o erro! rs Muito bacana o text e fotos incríveis, da vontade de ir, mesmo com medinho da localizacao! Saludos!

  13. A gente tem que perder esse preconceito com o Oriente Médio mesmo. Adorei!
    Beijo!

  14. Gabriela, não que eu queira… eu PRECISO conhecer Persépolis! É necessidade mesmo!!! hehehehe
    Lindo seu post! Amei o texto e as fotos! beijão

  15. Tenho escutado tantas coisas boas sobre o Irã!!! Tenho que ir:)

  16. Não sabia que o Irã era um lugar tão especial e tão rico de cultura. Adorei o post e amei demais também o vídeo de vocês do ladinho, que viagens incríveis, parabéns.

    • O Irã tem uma das culturas mais antigas do mundo e infelizmente pouco se sabe sobre o país. A mídia mostra o que quer, né? Não é à toa que Petra, de uma história mais recente que Persépolis, tem um apelo muito maior.
      Obrigada pela mensagem 😉

  17. Que lugar sensacional! Ainda mais para quem é louco por história e ruínas que nem eu! rs

  18. Lá vem vocês de novo me encantando com o Irã!

  19. Gabriela, fantástico post !
    Li junto com meu marido que ama história antiga e tem loucura para conhecer o Irã, a Turquia. Parabéns pelo post. Vou te enviar email para ver dicas beijocas

  20. Demais Gabi, sabe o que penso sobre o Irã né?! Já deve estar cansada de escutar eu falando que é um sonho, rsrsrs…To tentando apurar o passo pra ir la visitar, enquanto não tem muito turista. Cada vez que converso com alguém que tenha visitado o Irã, só aumenta minha vontade. O mesmo acontece quando vejo posts maravilhosos como os seus… 🙂

  21. Camila

    Muito bom Gabi! Acendeu ainda mais minha curiosidade sobre o Irã! E claroooo que mais pertinho vou querer o contato do guia ❤️

    • O Irã deixará boas lembranças para a vida toda. Pode te certeza 😉
      Precisando do contato do guia, é só avisar.
      Beijos e obrigada pela mensagem!

      • boanova coelho

        Tem toda a razão é uma recordação para toda a vida. Adorei o Irão. Só é muito triste Alexandre o grande ter destruído Persépolis , a cidade mais linda e mais rica do mundo antigo.

        • Verdade. Alexandre deu seu ar da graça em Persépolis, colocando fogo na cidade. Dizem que foi uma vingança a Xerxes, por ter colocado fogo na Acrópole. Quem sabe, né?
          De qualquer forma, Persépolis está lá para que a humanidade possa conhecer de perto. Um lugar lindo e cheio de história 😉
          Abraços

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