Mergulho com tubarão-branco na África do Sul

Mergulho com tubarão-branco na África do Sul: valeu a pena?

Desde muito antes de comprar uma passagem para a África do Sul, eu já tinha a certeza de que essa viagem incluiria um mergulho para ver o temido tubarão-branco. Imaginar estar frente a frente com o maior predador dos oceanos, imortalizado por Hollywood com a fama de assassinos (injustamente, diga-se de passagem), sempre me instigava.

Até que, finalmente, tinha passagens em mãos para a África do Sul para fevereiro/março de 2019. Sem pestanejar, pesquisei sobre as opções de empresas que faziam esse tipo de passeio e comprei o pacote. Aproveitei a empolgação e convenci mais 3 amigos para participarem dessa aventura.

Estávamos hospedados em Cape Town, cidade mais visitada daquele país africano e onde se encontra a maior parte dos turistas que pretendem fazer esse passeio. Há várias opções de pacotes, mas a mais concorrida é justamente um mergulho em uma gaiola, a alguns quilômetros de distância da costa, onde, com roupa e óculos de mergulho se pode ver o tão esperado tubarão-branco.

Para quem não sabe, por mais que qualquer tubarão pareça assustador, nada se compara ao GRANDE TUBARÃO-BRANCO. Para se ter uma ideia, esse “rapazinho” pode chegar a 7 metros de cumprimento e pesar mais de 2 toneladas. Ao atacar uma presa, sua mandíbula praticamente “sai” do seu corpo e sempre é possível ver seus dentes, pois ele nunca consegue fechar sua boca por completo. Simplesmente um animal fantástico.

O pacote que escolhemos incluía o transfer do nosso hotel em Cape Town até Gansbaai, local de onde partiríamos; um café da manhã antes das explicações sobre o mergulho; roupas de neoprene; almoço e transfer de volta até Cape Town. Não dá para dizer que é baratinho, pois pagamos, cada um, cerca de R$700,00 pelo pacote. Até aí, tudo bem, pois seria uma experiência inacreditável.

Empresa de mergulho com tubarão branco

Na sede da empresa do mergulho. Era esse rapazinho que eu queria ver!

Nas instruções que recebemos antes, por email, nos foi informado que o horário que nos buscariam em nossa hospedagem seria confirmado na véspera do passeio e que a data também poderia ser modificada, em caso de mau tempo.

Na véspera, entretanto, recebi um email que confirmava o horário que deveríamos estar aguardando no lobby do hotel: 3h30min da manhã. Lembro que, ao ler o email, já pensei em desistir, porque eu ODEIO acordar cedo, heheheh. Nesse caso, era cedo demais, mas, já tinha convencido meus amigos a me acompanhar, não tive coragem de ser o primeiro a desistir. Outra informação no email: não tinha sido visto nenhum tubarão-branco nas redondezas naqueles dias, apenas tubarões-cobre. Isso foi outro ponto que me deixou com o pé atrás, pois imaginei que talvez meu sonho não fosse ser realizado.

No dia seguinte, às 3h30min, pontualmente, uma van parou no nosso hotel e lá fomos nós em busca do tubarão. Só um detalhe: de Cape Town até o local do mergulho são 170km. Ou seja, o caminho era longo. Entramos na van e quase nenhum de nós conseguiu dormir. Foram 2h20m até chegar ao nosso destino, ou seja, quase 6 da manhã quando a van estacionou em frente à sede da empresa.

Chegando lá, tomamos um café da manhã simples (pão, ovo, queijo, suco e frutas) e nos preparamos para assistir a um vídeo explicativo sobre o mergulho: o que poderíamos fazer, o que era proibido, etc. A equipe bastante simpática e prestativa. O grupo de pessoas que foi no barco era de cerca de 20, com alguns que apenas pagaram para ver os tubarões de dentro do barco e aqueles que iam entrar na gaiola para ver os “peixões” de perto.

Barco do mergulho com tubarão branco

A lancha que nos levou até o ponto do mergulho

Era verão, mas a água do mar lá é GELADA. Neste dia, a temperatura média era de 12/13ºC. O mergulho funcionava da seguinte forma: grupos de 4 pessoas entravam na gaiola, em turnos, com roupas de neoprene e óculos de mergulho. Não se usa cilindro ou snorkel. Como o mergulhador fica com o rosto na superfície da água, quando o tubarão se aproxima o nosso instrutor grita “down” e temos alguns segundos (enquanto o fôlego aguenta) para ver o “bichão”. Faltou fôlego é só colocar a cabeça para fora d’água e mergulhar de novo.

A caminho do mergulho com o tubarão-branco

A turma na lancha no início da aventura!

Embarcamos todos na rápida lancha que não levou mais que 12 minutos para chegar até o ponto onde os tubarões são vistos. Mar mexido, mas não muito revolto, não sentimos nada até ancorarmos.

Lembro que, ao ancorarmos, subimos na parte mais alta da lancha e esperamos a autorização para nos vestirmos e ir para a gaiola.

Nesse momento, meus amigos começaram a se queixar de enjoo. Eu ainda estava escapando ileso. O instrutor afirmou que, quem se sentisse enjoado, pegasse uns pirulitos no barco, que ajudariam a passar a sensação ruim. Eu fiquei confuso, não nego, porque a última coisa que se quer é comer algo quando se está enjoado. Mas eles com certeza sabem sobre o assunto melhor que eu.

Quando fomos autorizados a colocar a roupa de mergulho, meus amigos já estavam enjoados e eu comecei a ficar quando vesti a roupa, que era bem apertada.

Caímos na água. GELADA. Mas, apesar de não gostar de água fria, não me incomodou muito. No entanto, a visibilidade era péssima. A água estava turva, muito ruim de se enxergar. Veio o tubarão. “DOWN!”, gritou o instrutor. Eu vi o vulto, realmente era um tubarão. Mas com o devido respeito ao tubarão-bronze, era um “tubarãozinho tabajara”. O tubarão-bronze pode chegar a 2 metros de comprimento. Não tem cara de mau, mas de simpático. Ainda assim, mal podíamos vê-lo devido às condições da água.

O enjoo e o frio já nos dominando!

A melhor visibilidade possível era essa aí, não demos sorte com o mar nesse dia…

O sobe e desce na água, com o chacoalhar do barco, só fez aumentar o enjoo. Lembro que depois de alguns minutos, já estava cansado de ver o tubarão “tabajara” e eu estava doido para poder estar de volta à terra firme. No entanto, ainda havia mais grupos para fazer o mergulho. Quando fui sair da gaiola, sem nenhum respeito com o pobre tubarão-bronze, já “mandei” um vômito perto dele. Subi ao barco e vi que o lado oposto de onde estávamos, que havia sido indicado para todos aqueles que estivessem passando mal, estava concorrido. Metade dos passageiros com cara de enjoo, mal-estar, alguns já vomitando. O cheiro de peixe (iscas para atrair o tubarão) só piorava tudo. Nem senti frio, fiquei só de short, sem camisa, molhado, enquanto todo mundo batia o queixo. Acho que o enjoo inibia o frio, rs.

O tubarão se aproxima!

Não é simpático? Não tinha cara de mau! hehehe

O verdadeiro tubarão-branco, que infelizmente não vimos

Depois de um rodízio de pessoas vomitando, “bati o ponto” no vômito mais uma vez. Diferentemente de muita gente, se fico enjoado, prefiro vomitar logo e me sentir melhor.

Após cerca de mais uns 20/30minutos, estávamos puxando a âncora e voltando para terra firme. Dos meus amigos, todos ficaram enjoados, dois vomitaram e uma ficou com cara de quem ia fazer parte da turma do vômito, mas não chegou lá.

Ao desembarcarmos, um almoço nos esperava. Ainda 9 horas da manhã, nem pensei em comer. Aliás, era a última coisa que queria, pois, segundo meus amigos, eu estava “verde”. Depois de um tempinho, comi uma maçã para me sentir melhor.

Voltamos para Cape Town e, dessa vez, o mal-estar me ajudou a dormir: só fui acordar quase chegando ao hotel, já perto do meio dia. Meu colega de vômito só veio a se sentir bem no fim do dia.

Pesquisando mais a fundo, descobri que os tubarões-brancos são menos frequentes no verão, sendo julho o período mais fácil de vê-los. Errei ao não ter descoberto isso antes, achei que era quase certo de vê-los nessa época também, fui ingênuo.

Acho, no entanto, que a menor frequência de tubarão-branco no inverno poderia ser mais bem informada nos sites dos pacotes. Com certeza os organizadores já devem saber que as chances são bem menores de encontrá-los, mas evitam deixar isso claro para não perder consumidores. Eu, particularmente, pressenti isso na véspera, com o email falando sobre os tubarões-bronze. Mas não posso deixar de dizer que eu poderia ter desistido naquele dia e não o fiz.

Conheço pessoas que fizeram o passeio, viram o tubarão-branco e adoraram.

Acho que, no meu caso, o passeio se resume ao seguinte roteiro:

  1. Acordei 3h da manhã;
  2. 2 horas e 20 minutos numa van até o destino;
  3. Água congelante;
  4. Enjoo com vômito;
  5. Tubarão “tabajara” ao invés do GRANDE TUBARÃO-BRANCO;
  6. Gasto de R$700,00, uma pequena fortuna para quem conta o dinheiro sempre para poder viajar mais.

No meu caso, não valeu a pena. Ouvi muita gente, depois disso, que me relatou a mesma história. Mas acredito que quem consegue ver o grande branco deve ficar louco de felicidade. Não tive essa oportunidade. Se você decidir por fazer o passeio e conseguir, fico muito feliz por você. Mas eu não encararia de novo, muito ônus e nenhum bônus, pelo menos na minha humilde opinião. Se eu tivesse visto o grande branco, sem dúvida que todos os outros perrengues se tornariam detalhes, mas pena que não se tornaram.

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2 Comentários

  1. Luiz

    Rapaz temos muito em comum , já passei por lugares que sequer despertam a atenção de muitos turistas , entre eles : Caxemira no auge de um conflito , Camboja , época em que você contava o numero de turistas nas ruas … apenas eu e minha esposa e recentemente leste da Turquia (Curdistão) em 2016 e em 2017 Nahkchivan um exclave do Azerbaijão espremido entre Armênia, Irã e um pedacinho da Turquia . Parabens a vocês , viajar é muito bom e continuem com a meta. já passei dos 50 países e idade rsrsr grande abraço e sigo vocês nas mídias sociais .

    • Cara, que legal ouvir esse relato! E já peço desculpas por demorar de responder.
      Sim, com certeza temos muito em comum, inclusive no perfil de viagens, pois gosto muito dos destinos fora de rota. Que maravilha que deve ter sido visitar o Nahkchivan e o Curdistão, espero também chegar lá!
      Você já deve ter bastante história para contar, hein? Adoraria um dia poder batermos um papo!
      Grande abraço

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