Jack the ripper tour

Jack, o estripador (Jack, the ripper) – tour sobre o mais famoso serial killer da história em Londres

Jack, o “estripador” talvez seja o serial killer mais famoso da história. E foi com o fascínio desta história em mente que fui a Londres, não podendo, por isso, perder a chance de conhecer um pouco mais sobre Jack.

Antes de falarmos sobre o tour em si, vamos situar melhor a história a ser contada:

O ano era 1888 e Londres era, então, a cidade mais rica do mundo, capital do maior império de toda história, o Império Britânico. Justamente pela efervescência da cidade, a ilusão de enriquecimento fácil e a pobreza que assolava boa parte da Europa, milhares de imigrantes de todas as origens infestavam seus subúrbios, esperançosos de que a revolução industrial, que prometia empregos a todos, os tiraria da fome e da miséria.

Whitechapel, o bairro onde os crimes aconteceram, é o melhor retrato daquela imagem da Londres sombria do século XIX que muitos de nós temos, pois era nos arredores do centro londrino, onde os recém-chegados iam trabalhar e morar. Um lugar que muitos queriam manter distância, pois era um antro de bêbados, ladrões e foras da lei em geral. Somem-se a isso a falta de saneamento básico, a pobreza e a violência. A prostituição era a fonte de renda de boa parte das mulheres que lá moravam, vendendo seus corpos por míseros centavos.

A descrição feita no tour de como as pessoas faziam para passar a noite em estabelecimentos precaríssimos em uma cidade onde a temperatura vai abaixo de zero no inverno é horripilante. E foi nesse cenário que Jack, o estripador, cujo nome até hoje provoca calafrios, fez suas 5 vítimas conhecidas, todas elas prostitutas paupérrimas de Whitechapel, com histórias de vida de sofrimento, abuso de álcool e invisibilidade social.

Mary Ann Nichols, a primeira vítima de Jack, foi morta em 31 de agosto de 1888 na Durward Street. Jack tinha, como marca registrada, o ataque à faca, com golpes no pescoço e incisões profundas no abdômen, chegando a extirpar vísceras de suas vítimas. Mary Ann, teve seu pescoço degolado, além de também ter sido esfaqueada no abdômen.

Uma semana depois, em 8 de setembro, Annie Chapman se tornou a segunda vítima. Seu corpo foi encontrado na Hanbury Street, onde foi degolada e sofreu cortes profundos no abdômen, com seu útero extirpado.

Local onde o corpo de Annie Chapman foi encontrado

Em 30 de setembro, Elizabeth Stride, terceira vítima, foi encontrada degolada na Henriques Street. O fato de seu abdômen ter sido poupado levou a Scotland Yard a acreditar que talvez Jack tenha sido quase flagrado, fazendo com que não terminasse o assassinato da maneira que costumava, pois teve que fugir para não ser pego.

Outro indício de que Jack não teria saciado sua sede de violência foi o fato de que, nesta mesma noite, com 45 minutos de diferença, encontraram o corpo de Catherine Eddowes na Mitre Square, dessa vez, com todas as marcas sombrias dos assassinatos cometidos por Jack: degolada, com o abdômen aberto, os órgãos arrancados e despojados perto de seu rosto, levando consigo um de seus rins e partes do útero.

Local onde o corpo de Catherine Eddowes foi encontrado

Tour no local onde o corpo de Catherine Eddowes foi encontrado

Por fim, em 9 de novembro de 1888, pouco mais de dois meses após o primeiro assassinato, foi encontrada morta na Dorset Street, aquela que acreditam ter sido a última vítima de Jack, o estripador: Mary Jane Kelly. Essa foi a vítima na qual o serial killer foi mais longe nas suas mórbidas fantasias, pois foi extremamente mutilada, por todo o corpo, tendo seu coração sido levado, sequer valendo a pena descrever outros detalhes aqui.

Local onde Mary Jane Kelly foi encontrada morta

The Ten Bells Bar: de onde Mary Jane Kelly saiu pouco antes de ser a quinta vítima de Jack

Puma Court: famoso ponto de prostituição no séc. XIX

Mais uma foto do Puma Court

A bela Christ Church Spitalfields: em suas escadarias, prostitutas aguardavam clientes nas madrugadas de Whitechapel

Após essas cinco vítimas, ainda foram relatados outros assassinatos na região, mas nenhum deles pôde ser atribuído a Jack, até mesmo porque Whitechapel era um local onde assassinatos não eram algo incomum. Desde então, muitas teorias e muitos suspeitos já foram apontados como sendo o famoso Jack, o estripador, mas nada foi comprovado.

Mais de 120 anos depois da morte de Mary Jane Kelly, cientistas afirmam que, por meio de testes de DNA, a identidade de Jack teria sido revelada: seria Aaron Kosminski, um barbeiro de origem polonesa. Contudo, a tese é criticada por vários especialistas, sob o argumento de que o teste aplicado no caso apresenta falhas.

A partir desta breve narrativa, podemos então começar a falar sobre o tour.

Por mais que pareça ser apenas um programa grotesco, até de mau gosto, a verdade é que o tour termina por ser uma viagem na história não apenas do caso, mas de Londres da época.

Antes de viajarmos, encontrei o site oficial do tour. Pelo preço de £10.00 por pessoa, compramos os ingressos e seguimos até o ponto de encontro, na Saída 4 da Estação de metrô Aldgate East. Para deixar o tour mais sombrio, era dezembro, uma noite gelada.

Ao saírmos da estação, não demorou até encontrarmos nossa guia, Angie, uma senhora de meia idade, com mais um grupo de cerca de 20 pessoas. O passeio é todo feito a pé, pelas ruas de Whitechapel, onde a guia falará sobre como era a população local à época, o que era viver em Whitechapel, explicando um pouco sobre a Londres que ainda vivia sob a batuta da Rainha Vitória.

Whitechapel é hoje um bairro com grande concentração de imigrantes, em especial bengalis (originários de Bangladesh), repleto de restaurantes de comida asiática. Na verdade, um dos locais onde uma vítima foi morta é, hoje, um restaurante bengali.

A guia nos mostrou a principal igreja local, os parques, cabarets, lojas, sempre fazendo uma analogia com o que se via e o que eram esses lugares na época dos crimes. Nos pontos onde cada corpo foi encontrado, foi explicado quem era a vítima, a vida que levava e eram mostradas fotos tiradas pela polícia, descrevendo a cena e a forma como foram mortas.

A verdade é que não podemos deixar de dizer que a nossa guia, Angie Norman, era um show à parte. Com uma voz eloquente, sotaque londrino e uma cadência especial ao narrar os fatos ocorridos em 1888, ela não deixa ninguém desviar o olhar e os ouvidos da história que conta. Parecia que havia testemunhado os crimes de tão impressionante que era a narrativa. Considerando que estamos falando de um tour macabro, ela soube, nos momentos certos, despertar o calafrio em cada um dos participantes, trazendo o suspense de forma excepcional à situação, pois não dá para negar que, andando à noite, no frio de Londres, por ruas relativamente vazias, a forma que o tour se desenvolve e a performance da guia faziam como se parecesse que estávamos em 1888, quando Jack ainda estava à espreita.

O tour completo dura cerca de duas horas, caminhando a passos normais. Isso quer dizer que até mesmo pessoas com mais dificuldades de locomoção podem participar. No entanto, não há banheiros públicos no caminho e não são feitas paradas, com exceção daquelas que fazem parte da explicação do tour.

É importante ressaltar que o tour só é aconselhado para quem tem inglês avançado. Se o seu inglês é intermediário, pode ter certeza que não vai entender os principais detalhes narrados, pois, tratando-se de descrições de crimes, há uma série de palavras específicas, desde vocabulário relacionado à anatomia humana até termos mais usados na área jurídica, o que demanda um conhecimento mais profundo do idioma.

O acesso até o local, como dito no início deste post, é fácil, pois a estação de metrô é o ponto de encontro para o tour. Ao fim do passeio, os participantes novamente estarão perto de uma estação, fazendo com que seja muita tranquilo voltar para seu hotel/hostel.

Como sempre sonhei com a Londres da era vitoriana, por ter sido um leitor aficionado de Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, assim como sempre imaginei como seria viver na Londres daquela época, achei o passeio muito válido e enriquecedor, pois não era apenas limitado aos crimes de Jack, o estripador, como também foi uma aula sobre a Londres que lia nos livros.

Obviamente que Londres é uma das cidades com mais opções de entretenimento no mundo. Não faltam coisas para serem feitas por quem visita essa metrópole cosmopolita. No entanto, se o visitante se interessar por fazer algo um pouco fora do roteiro básico de turista em primeira viagem a Londres, não há dúvida que esse tour pode ser uma excelente opção.

Gostamos bastante do tour e recomendamos a quem se interessar por esse tipo de programa. Não é caro, principalmente considerando os altos preços cobrados em Londres, assim como é algo bastante interativo, já que é todo realizado a pé. No entanto, se você é o tipo de pessoa que se sente angustiado com esse tipo de tema, não acredito que seja uma boa escolha, pois a chance de não conseguir dormir com tranquilidade naquela noite é real.

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