Camboja: uma história de guerra, sofrimento e renascimento

Hoje em dia, quando se fala do Camboja, imediatamente vem à mente de grande parte dos ocidentais a imagem das magníficas ruínas de Angkor Wat, em Siem Reap, que ficaram mundialmente famosas a partir do lançamento do filme Tomb Raider, estrelado por Angeline Jolie. Mas existe um passado recente bastante sombrio e muito pouco discutido no ocidente que vale a pena relatar. Até para que não seja esquecido.

Por isso, posso dizer que o objetivo deste post não é necessariamente turístico (a não ser que seja de interesse do leitor este tipo de tour quando está viajando), mas nos sentimos na obrigação de ajudar a transmitir a todos que podemos a trágica experiência cambojana, que parece ser deixada de lado pela mídia ocidental em comparação a outras ocorridas em locais que parecem “importar mais” para esse lado de cá do planeta.

Dito isto, vamos a nossa experiência então.

Já estava nos nossos planos passar alguns dias no Camboja assim que tivéssemos a oportunidade de fazermos nossa primeira viagem ao sudeste asiático e, com certeza, Angkor Wat fazia parte desta lista.

Mas não queríamos perder a oportunidade de conhecer a sua capital, Phnom Penh, e saber um pouco mais sobre os terríveis anos 70 no país, época em que se viveu uma guerra civil, culminando com o brutal Khmer Vermelho no poder e o assassinato em massa de mais de um milhão de cambojanos. A situação era tão complicada que apenas nos anos 2000 o turismo se tornou, de fato, uma realidade no país, ajudando o seu povo a minimizar a pobreza que ainda assola a região. O Iraque e a Síria, países onde poucos teriam coragem de se aventurar atualmente, são o Camboja dos anos 70/80, local em que ninguém colocava os pés, a não ser que estivesse a trabalho por alguma ONG ou coisa do tipo. Não são raros os casos de pessoas que conhecem quase toda a região, com exceção justamente do Camboja.

Apesar de todo o país ter sofrido muito na época do Khmer Vermelho, partido que esteve no poder em parte da década de 70, vamos nos limitar a falar um pouco mais sobre Phnom Penh, capital do país, e de dois lugares extremamente impactantes chamados Choeung Ek Killing Field e Tuol Sleng.

Phnom Penh é a típica cidade grande do sudeste asiático: muito quente, ruas lotadas de gente, cheia de comércio ambulante, trânsito caótico. Tudo bem no estilo que nos encanta. Há muitas belas pagodas, monges budistas caminhando pela cidade e uma agradável orla às margens do importantíssimo Rio Mekong, com seus restaurantes e bares vibrantes noite a dentro.

2. Orla de Phnom Penh

Agradável orla à beira rio

O turista desavisado, que se aventura por suas ruas de carona nos famosos tuk-tuks, muitas vezes não imagina que pode estar sendo servido em um restaurante por um órfão da guerra. Ou sentado ao lado de alguém que foi brutalmente torturado nos tempos do Khmer Vermelho. Ou pior: estar dividindo um restaurante ou um banco de uma praça com um torturador, genocida ou guerrilheiro khmer.

Para um rápido entendimento do que se passou por lá, sem ter a pretensão de ser historicamente preciso, tampouco emitir opinião política, o país enfrentou uma séria guerra civil após golpe militar levado a cabo pelo General Lon Nol, em 1970, destronando Sihanouk, chefe político até então. Como o novo governo exigiu que os comunistas vietnamitas deixassem o Camboja, rapidamente passou a ter apoio dos EUA. Sihanouk, visando à volta ao poder, pediu apoio aos seus seguidores para que derrubassem os golpistas, levando o país a uma guerra civil.

À medida que a luta se acirrava, o Khmer Rouge (ou Khmer Vermelho), liderado pelos comunistas cambojanos, ganhou apoio popular e tomou, em 1975, a capital Phnom Penh, liderado pelo cruel Pol Pot. Daí até a invasão vietnamita em novembro de 1978, o país passou por um período negro, onde a violência, a crueldade e a fome assolaram a maior parte de sua população. Por muito tempo o Khmer Vermelho manteve o controle de várias regiões do país, mas jamais voltou a ter o domínio obtido naqueles anos.

Somente em 1993, Sihanouk voltou a ser rei do Camboja, abdicando em 2004 em favor de um de seus filhos, o atual rei Sihamoni.

Pol Pot morreu em 1998 de causas naturais, sem pagar pelos seus crimes. A maior parte dos líderes desta matança ainda não foi julgada.

Com essas pequenas e humildes informações, acho que já dá para contar um pouco do nosso roteiro em Phnom Penh.

#Tuol Sleng

Em uma região central de Phnom Penh, o que costumava ser uma escola secundária foi, durante o regime do Khmer Vermelho sob o comando de Pol Pot (1975-1979),  uma prisão e centro de tortura por onde passaram mais de 20 mil pessoas. O complexo foi todo cercado de arame farpado e fortemente vigiado. Dentro do que antes eram salas de aula, foram construídas minicelas onde os prisioneiros eram mantidos, muitas vezes acorrentados, sem qualquer tipo de atendimento básico. Estamos falando de falta de comida, água, vaso, etc., além de sessões de torturas que incluíam espancamentos, jatos de água gelada e coisas muito pior que preferimos nem falar. Caso haja curiosidade, recomendamos que os leitores procurem em outros meios, pois aqui nós realmente optamos por não descrevê-las. Podemos dizer que os médicos que lá estavam tinham apenas que garantir que fossem mantidos vivos até que interrogados. E dos mais de 20 mil prisioneiros (alguns números apontam 25 mil), apenas 12 sobreviveram. Veja bem, não são 12 mil, são só 12 (uma dezena mais duas unidades!!) que conseguiram sair do local com vida!

3. Tuol Sleng

Pátio do que um dia foi uma escola. A “trave” em destaque era utilizada para enforcar presos.

4. Tuol Sleng Rules

Regras que deveriam ser seguidas por todos que ali se encontravam. Destaque para a número 6: “Enquanto recebe chicotadas ou choques elétricos, você está proibido de gritar”

Com o passar do tempo, devido às terríveis condições locais, prisioneiros começaram a cometer suicídio. Para evitar estes tipos de mortes, as autoridades do Tuol Sleng resolveram colocar arames farpados nos vãos das varandas, para que ninguém se jogasse de lá e tivesse a possibilidade de “escolher como morrer”.

A duração das detenções variava entre 2 e 3 meses, tempo suficiente para que, mediante torturas, qualquer um confessasse o que lhes fosse dito. Feito isso, eram assassinados a sangue frio e enterrados em suas redondezas. Como tornou-se inviável (devido à falta de espaço) continuar enterrando pessoas por ali, decidiram, então, mandar os prisioneiros para a próxima parada, os chamados Killing Fields, cujo nome já bem esclarece o seu objetivo.

5. Dentro de Tuol Sleng_

Em sentido horário: Cama onde foi encontrada uma das últimas vítimas; correntes que mantinham os presos impedidos de caminhar; minicelas e arame farpado nos vãos dos corredores para impedir suicídios.

Hoje, o Tuol Sleng é chamado de Museu do Genocídio Tuol Sleng, com boa parte de seu complexo mantido como na época do terror, repleto de fotos e relatos de vítimas e dos pouquíssimos sobreviventes. Ainda é possível caminhar pelas pequenas celas com correntes atadas ao chão, que serviam para manter os prisioneiros sob total controle. Há ainda o túmulo das últimas vítimas que já estavam mortas quando o exército vietnamita tomou o complexo.

6. túmulos tuol sleng

Túmulos das últimas vítimas do complexo

Em uma visita hoje em dia, é possível adquirir livros que contam a história desta triste época na mão de um dos sobreviventes.

Se você sai abalado deste local, prepare-se para a próxima parada.

#Killing Field Choeung Ek

A poucos minutos do centro de Phnom Penh, chegamos ao famoso Killing Field Choeung Ek. Como o nome já diz, é um campo de matança, local para onde, depois que não havia mais espaços para enterrar os mortos no Tuol Sleng, eram levados os prisioneiros para serem assassinados e enterrados. Houve muitos killing fields, mas o mais famoso é justamente o Choeung Ek, pois está na capital, cercado de casas e arrozais. Lá foram mortas mais de 10 mil pessoas.

O local, inicialmente, lembra apenas um sítio, nada que chame muita atenção. Mas aí você vê a diferença: um grande silêncio considerando a quantidade de visitantes. Pelo fato de todas as pessoas receberem um audio kit com fones de ouvido para poder ouvir as informações de cada local em que se pisa, ninguém fala nada. Mas as descrições são aterrorizantes.

7. Monumento dentro do Killing Fields

Monumento aos mortos em Choeung Ek

Logo de cara, há um monumento onde são mantidas enormes quantidades de ossos de adultos e crianças, muitos deles com diversas marcas de traumas. Há ali mais de 5 mil crânios. E é caminhando por lá que você vai se deparar com as terríveis histórias que se passaram pelo local. Por todo o espaço, há enormes buracos pelo chão, mais parecendo um campo minado, ou após um ataque aéreo. Somos informados pelo audio guide que esses buracos costumavam ter mais de dois metros de profundidade, com muitos outros de largura, mas, como foram escavados a partir do início da década de 80, a erosão e os sedimentos já diminuíram bastante sua profundidade. Todos eles continham grandes quantidades de ossadas, formando valas comuns para enterro em massa, com camadas de corpos que eram acomodados uns sobre outros.

8. Killing Fields

Muitas das vítimas do Khmer Vermelho.

Uma das recomendações que nos dão é que evitemos pisar em ossos que ainda se espalham pelo chão. De início, essa frase parece ser só para dar mais dramaticidade à nossa visita, mas é a pura verdade. Conforme você vai caminhando pelas áreas cercadas de arrozais, pedaços de ossos, como tíbia, fêmur, dentes, além de pedaços de roupas, vão despontando da terra como se fossem capim. As chuvas vão, aos poucos, revelando mais e mais esqueletos que ainda se escondem pelo terreno. Se já não bastasse isso, somos informados que, para economizar munição, os carrascos do local matavam pessoas com porretes, martelos, machados, facas, enxadas, foices ou qualquer objeto que pudesse alcançar seus objetivos com o menor custo possível. O que poderia tornar o local mais agradável, as palmeiras que cercam as valas, eram, na verdade, utilizadas também como armas: em suas folhas há cerdas que as transformam em verdadeiros serrotes, nas quais muitas cabeças foram degoladas.

9. Valas e ossos - Killing Field

Em sentido horário: placa inscrita “não pise em ossos”; fragmentos de ossos em cima de uma pedra; vários pequenos ossos “brotando” do chão; crateras onde foram encontrados milhares de corpos

No meio dessa paisagem, destaca-se uma árvore repleta de fitinhas amarradas. A descrição a seguir é estarrecedora: essas fitas representam as milhares de crianças (algumas com menos de um ano de idade) que foram mortas da maneira mais cruel que se pode imaginar: Seguradas pelos seus calcanhares, os carrascos as arremessavam continuamente contra o tronco da árvore até que fossem consideradas mortas. Uma das primeiras pessoas que chegaram ao local após a tomada pelos vietnamitas afirma que ainda era possível ver massa encefálica espalhada pelo tronco, além de muitas manchas de sangue. Não há como não sentir um frio dentro da gente.

10. Árvore no Killing Field

Árvore onde muitas crianças foram mortas

É, sem dúvida, um passeio duro, difícil de encarar, mas o que mais nos impressionou foi saber que isso aconteceu enquanto grande parte da população que hoje visita o complexo já tinha nascido e, mesmo assim, as informações sobre o que ocorreu lá quase nunca chegaram à maioria de nós. Não estamos falando de tragédias ocorridas em gerações distantes, vividas por nossos antepassados, mas por pessoas que hoje contam com 35-50 anos e eram crianças na época!

Enquanto todos nós sabemos dos horrores perpetrados pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial contra os judeus, quase ninguém sabe, sequer ouviu falar, sobre as atrocidades ocorridas no Camboja na década de 70. Estamos falando de quase 2 milhões de pessoas barbaramente assassinadas, mas que, para o ocidente, parece que não mereceram a mesma atenção que foi dada aos europeus mortos na Segunda Guerra.

A intenção deste post não é chocar ninguém (apesar de achar que isso não tem como não acontecer), mas fazer com que, pelo menos, ao ouvirem falar do Camboja, não se lembrem apenas das belas ruínas de Angkor Wat. Que saibam que a bela capital do país pode contar uma história que, de tão chocante, ainda sangra para a maior parte dos cambojanos, desde o seu garçom no restaurante da orla ao motorista de seu tuk-tuk. Da moça que lhe vende artesanato ao gerente do hotel que lhe hospeda. Imagino como deve ser aterrador para muitos cambojanos caminharem pelas calçadas e verem, vivendo normalmente, pessoas que participaram ativamente do assassinato de seus familiares e amigos.

Pois é. Felizmente, o Camboja hoje é um dos queridinhos do sudeste asiático, recebendo milhares de turistas todos os anos. A pobreza ainda é bastante presente em todos os locais que visitamos, mas é um alívio saber que a paz finalmente chegou àquelas bandas. Se pensarmos que ir ao Camboja há 20/30 anos era o mesmo que ir ao Iraque ou a Síria hoje, ainda temos esperança. Que estes países possam vir a ter a paz que finalmente chegou ao belo Camboja. Mesmo que ainda se sinta muita dor.

Um filme que recomendamos para entender melhor: Os Gritos do Silêncio – The Killing Fields

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17 Comentários

  1. Muito bom!
    Li, adorei e voltarei a ler quando estivermos mais perto de nossa viagem ao país!
    Excelente post, gente 🙂

  2. Paulo Fernandes

    Gabi eu acompanhei a guerra do Vietnan pois desde pequeno fui muito ligado ao radio, jornal e todo noticiario. Assisti varias vezes o filme que voce relatou e estou montando um roteiro para 2019 ou talvez ate antes. Li um post seu sobre telefonia e nao entendi sobre o chip internacional. Na minha ultima viagem comprei chip na Belgica Romenia, Italia e um sim card internacional em Istambul e ainda assim passei por alguma dificuldade em fazer minhas reservas pois uso muito bus e trem. Agora na Europa desde maio p.p um chip vale em toda Europa. Como funciona na Asia? Muito obrigado pelo seu post pois vc nao imagina a valor que tem. Parabens.

    • Olá! Tudo bem?
      Também somos muito antenados aos noticiários e gostamos de acompanhar o que tem acontecido no mundo. Infelizmente, sempre há algum país sofrendo, vide Yemen, Síria e Iraque.
      Sobre o chip, ele tem cobertura em 140 países. Assim, você pode viajar por vários países usando um único chip. A pessoa deve fazer a compra com antecedência, pois irá recebê-lo em casa (ainda no Brasil).
      Na Ásia, funciona da mesma forma, mas a qualidade da conexão dependerá da operadora local. Pode ser que funcione muito bem alguns países e em outros não.
      Fico feliz em saber que essa postagem sobre a história do Camboja tem alcançado um grande público. É muito importante que a humanidade jamais esqueça o que aconteceu.
      Agradeço imensamente pela sua mensagem.
      Estou à disposição!
      Abraços

  3. oi Gabi! Eu sempre fico arrepiada e comovida quando leio relatos desse tipo! É assustador como a maldade ainda reina no mundo, a crueldade… É terrível pensar que enquanto aqui eu estava nascendo, sendo amada, educada, pessoas em outros lugares estavam sendo torturadas e assassinadas. Confesso que a dimensão disso tudo foge à minha compreensão.

    Que dureza deve ser imaginar que podemos estar sentados tomando um café ao lado de um elemento desses, desprovido de qualquer traço de humanidade!

    Fico feliz que eles tenham mudado essa história, se libertado e torço para que essa paz não seja frágil e temporária, que a história futura seja apenas de prosperidade.

    Cambodja está em minha lista de desejos e um dia visitarei. Agora sabendo um pouco sobre sua dramática história, terá novo sentido essa viagem. bjus

  4. Marta

    Existem pelos menos “trechos” dessas terríveis, mas emocionantes histórias de luta e sobrevivência, em Filmes e Livros. Assisti recentemente o Filme: Os Gritos Do Silêncio (com um dos atores cambojanos – Médico sobrevivente da época do tomada pelo Khmer) e também um Livro: Camboja Preparados Para Morrer, com teor Missionário do mesmo período. Explendidos!!

    • Assistimos ao Gritos do Silêncio. Ótimo filme!
      Neste momento estou lendo um livro chamado: “First They Killed My Father”, uma história verídica de uma família que foi expulsa de Phnom Penh pelo Khmer Vermelho e foram parar nos campos de trabalhos forçados.

  5. Giovanna

    Muito obrigada pelo post! To com o Camboja como uma das minhas principais opcoes de países para fazer trabalho voluntário em 2017 e a história do país me tocou bastante! Me deu mais vontade ainda de mergulhar e conhecer melhor sua cultura. Obrigada!

  6. Thaís

    Fabricio, obrigada por compartilhar este conteúdo triste e profundo conosco.

  7. Realmente é chocante a historia, tenho muita vontade de conhecer o Camboja.
    Ótimo texto.

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