Roteiro de um dia em Macau

Macau, assim como Hong Kong, é uma região administrativa da República Popular da China. Por possuir uma grande autonomia política e econômica (com exceção a questões relacionadas à defesa e política externa), é considerada uma cidade-Estado, ou seja, é como se fosse um outro país. Macau foi o primeiro entreposto europeu e também a última colônia europeia na China. Para quem não sabe, Hong Kong foi colônia inglesa e Macau foi colônia portuguesa, mas ambos os países voltaram ao domínio da China na década de 90.

#Dicas Úteis

O “país” foi colonizado pelos portugueses por mais de 400 anos e os resquícios dessa colonização lusitana estão por todas as partes, seja pela arquitetura dos prédios históricos ao estilo europeu, nas pedras portuguesas que decoram o chão do centro da cidade e pelos nomes das ruas, todos no bom português!

Macau Placas

Informações em chinês, português e inglês

Não ficaremos perdidos se dependermos das placas!

Não ficaremos perdidos se dependermos das placas!

Só que não adianta chegar animado achando que todos lhe entenderão quando você falar na sua língua materna, pois ninguém (com exceção dos portugueses que lá habitam) vai entender uma única palavra. É isso mesmo que você está pensando! Você verá placas em português; dentro do ônibus você ouvirá o aviso do próximo ponto também no nosso idioma; vai visitar museus e centro de informações turísticas e conseguirá mapas e avisos em português. Só que isso é o máximo que se pode encontrar em português, pois nem as pessoas que trabalham com o turismo sabem falar a nossa língua. É estranho, mas os macauenses falam apenas cantonês (um dos dialetos da língua chinesa), embora o nosso idioma também seja língua oficial.

Os brasileiros não precisam de visto para visitar o país a turismo, mas, infelizmente, não recebemos o carimbo no passaporte quando passamos pela imigração. Assim como em Hong Kong, recebemos um pequeno papel com informações da nossa entrada e devemos guardá-lo até a saída do país. Ah, se você decidir ir de Macau a Hong Kong, será necessário passar pela imigração de cada país.

Você receberá esse papel assim que passar pela imigração em Macau. Guarde até sair do país.

Você receberá esse papel assim que passar pela imigração em Macau (observe as informações em português). Guarde-o até sair do país.

A moeda de Macau é a pataca (MOP), que está oficialmente indexada ao dólar de Hong Kong (HKD). Tivemos um pouco de dificuldade em trocar notas de dólares americanos amassadas ou com aspectos de velhas por patacas (lembro que isso também aconteceu em Myanmar).

É necessário ter moedas em mãos para pagar as passagens de ônibus (tanto lá quando em Hong Kong, devemos depositar o valor correto da passagem assim que entramos no ônibus). Lembro bem que não tínhamos moedas suficientes na primeira vez que precisamos pegar o buzú e foi um parto para consegui-las. Fomos ao centro de informações turísticas e a uma loja e perguntamos se podiam trocar aquela nota de patacas por moedas (era pouco dinheiro, que equivalia a 10 ou 20 reais), mas ninguém podia ou queria nos ajudar. Aí não teve jeito: resolvemos comprar chiclete na barraquinha 😉

Visitamos Hong Kong no final do mês de dezembro e, um mês depois, conhecemos Macau e voltamos a Hong Kong. Com exceção de um dia em Hong Kong, ainda em dezembro, todos os outros dias foram de céu aberto e com temperaturas agradáveis. Nessa época do ano é inverno nestes países, sendo o período com menos chuvas. Faz um frio de leve, mas nada que precise de casacos pesados. Uma jaqueta simples já resolve.

➡️ Dicas úteis sobre Hong Kong

#Dicas de Turismo 

Nossa chegada a Macau foi muito turbulenta, o que atrapalhou bastante toda a nossa programação de passeios, pois passaríamos dois dias inteiros no país, mas, por causa da sucessão de problemas, acabamos passeando apenas durante um dia.

Como chegamos tarde da noite, só começamos a passear no dia seguinte de manhã. Ficamos hospedados no Hotel Best Western Sun Sun, que era a opção mais barata para aquela noite. O hotel é bem normal, sem muita frescura, mas estávamos tão chateados com todos os problemas que aconteceram no dia em que chegamos a Macau que nem conseguimos fazer uma avaliação sincera das instalações do hotel.

O passeio começou pelas ruas da cidade para sentir um pouco o clima local e aproveitamos para ver se tinha alguma semelhança com a “vizinha” Hong Kong. Na verdade, Macau é menos moderna que Hong Kong (que chama a atenção pelos arranha-céus e pela quantidade de lojas e shopping centers), sendo uma mistura de edifícios antigos coloniais com construções chinesas.

Rua de Macau

Rua da Ponte da Horta

Rua em Macau

Uma rua da cidade com aparência decadente

As primeiras imagens de uma Macau portuguesa foi no Largo de Santo Agostinho, onde vimos as calçadas de pedras portuguesas e a Igreja de Santo Agostinho, também de arquitetura típica de Portugal, que fez com que sentíssemos uma certa familiaridade, que tanto nos lembrava o Brasil.

A Igreja foi construída no mesmo século em que os portugueses “descobriram” o nosso país, mas o seu edifício atual data de três séculos depois. Entramos rapidamente, mas não ficamos tão impressionados com o seu interior. Isso deve-se ao fato de termos um certo apreço por igrejas mais decoradas, como as barrocas.

Lateral da Igreja de Santo Agostinho Macau

Alguma semelhança com o Brasil?

O interior da Igreja de Santo Agostinho

Seguimos para o grande centro da cidade, o Largo do Senado, que tem sido o maior centro urbano de Macau por séculos. É uma praça enorme, pavimentada de pedras portuguesas com os desenhos em forma de ondas, que lembram o calçadão de Copacabana, e com vários prédios de arquitetura europeia em sua volta.

Em um dos prédios ao redor da praça, há um centro de turismo que disponibiliza gratuitamente folhetos com informações turísticas da cidade.

Largo do Senado Macau

O Largo do Senado e sua arquitetura familiar. O centro de informações turísticas está localizado no edifício rosa que está no lado esquerdo dessa foto.

Dia lindo em Macau!

Nesse local, vimos a Santa Casa da Misericórdia, responsável por obras de caridade em Macau. Devido ao pouco tempo na cidade, demos prioridade a outros pontos e acabamos não entrando. Já tivemos a oportunidade de visitar o Museu da Santa Casa de Misericórdia em Salvador, Bahia, e curtimos bastante a história e acervo do museu. Se a Santa Casa de Macau for no mesmo estilo, é uma pena que a gente não tenha tido tempo de conhecer.

Santa Casa da Misericordia Macau

Mais um edifício com arquitetura familiar!

Seguimos em direção à Igreja de São Domingos, da ordem dos dominicanos, construída também no mesmo século da Igreja de Santo Agostinho. É uma das famosas atrações da cidade.

Igreja de Sao Domingos Macau

A fachada da Igreja de São Domingos

Continuamos andando pelas ruelas do centro histórico (geralmente lotadas de gente) e vimos algumas coisas interessantes, como um restaurante com comida do Brasil, lojas que vendem os Pastéis de Belém, que são super famosos em Portugal. Vimos também uma coisa de comer que pareciam folhas vermelhas empilhadas. Quase toda loja que vendia aquilo oferecia pra gente, até que eu perguntei o que era e resolvi experimentar. Para a minha surpresa, aquela iguaria era feita de carne de porco e era adocicada (Ecaaaa!!). Não curti não, mas pelo menos experimentei!

Rua do centro de Macau

Rua de Macau: onde o português e o chinês se misturam!

Comidas em Macau

Rua lotada, pastéis de Belém e as folhas de carne de porco. Não é que eu tive coragem de experimentar?

O próxima atração que visitamos foi o ponto turístico mais visitado de Macau: as Ruínas de São Paulo, grande cartão postal da cidade e ponto de passagem obrigatório de todos os turistas que vão à cidade. Essas ruínas foram o que sobraram da Igreja de Madre de Deus e do Colégio de São Paulo, construídos pelos jesuítas e destruídos em um incêndio ocorrido no século XVII. Tudo que restou foi a fachada impressionante do alto da escadaria, que lhe rendeu o título de “A Acrópole de Macau”.

Todos querem uma foto lá!

Não só subimos as escadarias como também visitamos a Cripta e o Museu de Arte Sacra. Na cripta, pudemos ver uma rocha com uma cruz encravada, onde dizem ser a sepultura do Padre Alessandro Valignano, o fundador do Colégio. Há também várias sepulturas de religiosos no local. O Museu de Arte Sacra contém um acervo de obras de arte cristã do século XVI até o século XX.

A pedra com a cruz encravada, que representa o local onde está sepultado o fundador do Colégio

A pedra com a cruz encravada, que representa o local onde está sepultado o fundador do Colégio

Saindo das ruínas, subimos por um caminho que nos levou ao Museu de Macau, situado dentro da Fortaleza de São Paulo do Monte, de onde se tem uma vista panorâmica da cidade. O local, que já foi residência dos Governadores, abriga desde 94 um museu que conta a história dessa terra, construída por chineses e portugueses e que é diferente de qualquer outro lugar no mundo!

Demos uma olhada da vista da cidade a partir daquela fortaleza e entramos no museu para comprar os ingressos. Lógico que recebemos os folhetos em português! E essa é uma grande vantagem para os brasileiros e portugueses que não sabem outros idiomas, pois conseguem se virar bem com a língua mãe. Como disse, não vimos pessoas falando português, mas, lendo as placas e pegando os livrinhos de informações turísticas, conseguimos fazer tudo sem a ajuda de ninguém. Imagine o que é chegar a um museu do outro lado do mundo e entender tudo que está escrito?

Museu de Macau

O prédio onde está situado o Museu de Macau, a vista panorâmica da cidade e porcelanas chinesas

É uma história bastante interessante, de uma cultura chinesa milenar que foi dominada pelos portugueses, os primeiros ocidentais a chegarem à China pela via marítima. E foi a presença dos portugueses a grande responsável pelo crescimento da região, pois Macau foi o primeiro entreposto comercial entre o Oriente e o Ocidente, onde imperava a troca de produtos desses dois lados do mundo: os europeus ofereciam seus produtos em troca da seda, porcelanas, chás e outros artefatos chineses.

Após tantas visitas a sítios históricos, resolvemos almoçar em um restaurante português. Estávamos viajando pela Ásia há mais de um mês, tínhamos experimentado vários sabores de cada país por onde passamos, e lógico que estávamos com a maior vontade de comer algo mais ocidental. Se é comida portuguesa, pode nos chamar! Adoramos!

Na época, li algum site recomendando o restaurante “O Santos Comida Portuguesa”, porém não me recordo quem indicou. É um restaurante com cara de familiar, poucas mesas e um rápido atendimento. Foi o primeiro lugar em toda Macau onde finalmente ouvimos pessoas falando português. Estávamos em casa! Bem, quase em casa, já que o sotaque que ouvíamos tinha vindo das terras lusitanas, mas juro que estava valendo! A verdade é que, quando você está no Oriente, você percebe o quanto nos parecemos com os europeus.

O ambiente é típico português e o dono do restaurante é um torcedor fanático do Benfica, um grande time de futebol de Portugal. Até nisso nos sentimos em casa, pois futebol não é um esporte de tradição na Ásia.

Comida portuguesa em Macau

Finalmente comendo algo que nos lembre de casa!

De entrada, chegou uma cesta de pães super saborosos e um potinho com azeitonas. Pedi uns bolinhos da bacalhau e, de prato principal, pedimos um frango assado (frango no churrasco) para nós dois (o prato português favorito de Fabrício, que é alérgico a frutos do mar). Só quem já experimentou os frangos assados de Portugal sabe o quão saboroso é esse prato. E eu nem sou fã de frango! A porção serve bem duas pessoas e os valores são razoáveis para o padrão de vida de Macau.

O nosso último ponto de parada foi um cassino. Esse tipo de empreendimento representa o boom econômico dessa região após a liberação dos jogos no país. Nunca gastamos um único centavo em cassinos, mas, se fazem parte do atrativo turístico da cidade, não custa nada fazer uma visita, né? Foi assim que visitamos cassinos em Punta del Este e em Estoril.

Foram justamente esses tipos de hotéis que trouxeram a modernidade a Macau. Passamos por vários cassinos mas entramos apenas em um, o famosíssimo Venetian, um hotel-cassino-resort-shopping que é uma atração turística mesmo! Há um Venetian em Las Vegas, que é o mais famoso entre os brasileiros, mas não conhecemos ainda. Segundo amigos que viram as nossas fotos, os dois são iguais por dentro.

Cassinos em Macau

Os modernos hotéis-cassinos de Macau

Parque em Macau

O parque no caminho para o Venetian

Para se ter uma ideia da grandiosidade da coisa, passamos até por esteiras rolantes ao longo da calçada no caminho para o Venetian. A entrada é suntuosa e, como já disse, não é só um hotel com um cassino. É um grande shopping center todo decorado com o tema Veneza. Tem até canais imitando os da cidade italiana com gondoleiros cantando alto enquanto levam turistas nos passeios de gôndola.

Cassino Venetian Macau

O cassino do Venetian. Nem precisa dizer que a grana rola solta, né?

Venetian Macau

Turistas passeiam de gôndola

A decoração lindinha do Venetian!

A decoração do local é tão bem bolada, que esse céu que você viu aí é de mentira. Haha! Sério mesmo, não parece, mas é tudo pintura que chega até a enganar quem passa sem prestar atenção.

É um show de artificialidade, que não costuma ser o foco das nossas viagens, mas que nos proporcionou bons momentos de descontração e que acabaram se transformando em boas lembranças!

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10 Comentários

  1. Thiago

    Olá, Gabriela! Por favor, como circular de transporte público entre o aeroporto, o centro histórico, a área de cassinos e do ferry? Chegaremos em Macau no dia 16/07 à noite, dormiremos no aeroporto (sim!) e, no dia seguinte, faremos os passeios até o fim da tarde, quando pegaremos o ferry pra Hong Kong. Muito obrigado!

    • Olá, Thiago! Tudo bem? Fomos do aeroporto ao hotel de táxi, pois não vimos transporte público saindo do aeroporto no horário que chegamos (era muito tarde). Nós pegamos os ônibus sem problemas em Macau porque há avisos em Português rs
      O único detalhe que você tem que ficar atento é em relação a ter o dinheiro correto. Eles não dão troco.
      Abraços

  2. Obrigado pelo excelente e detalhado artigo. Há blogs que publicam apenas para ganhar presença e gerar dinheiro. Já deu para ver que não é o vosso caso. Este artigo chamou-me a atenção porque planeio uma ampla viagem pela Ásia em 2017 e, claro, sendo português Macau e Timor-Leste serão paragens obrigatórias.

    Ricardo Ribeiro

  3. Que bom que é ver ver coisas escritas na nossa língua, mesmo que ninguém vale. Dá-me sempre uma alegria enorme quando vejo algo em português 🙂

    Um dia chega para ver os pontos mais importantes de Macau?

    • Olá, Catarina! Essa questão do idioma nos fez sentirmos em casa 😉
      Um dia é corrido mas, com força de vontade, dá sim para ver os pontos mais importantes. A nossa programação era ter passado 2 dias, mas tivemos alguns contratempos e acabamos aproveitando apenas um.
      Valeu muito e pena!

  4. Adorei o post! Vou focar também um dia em Macau e pensei em não trocar dinheiro, usar mais o cartão, era bem aceito quando vocês foram? A gente não costuma usar cartão, mas fazer cambio para um dia dá uma preguiça.. Hahahaha!! Bjs

    • Não tenho certeza, mas acho que eles aceitam dólar de Hong Kong. Nós fomos obrigados a trocar dinheiro porque chegamos pelo aeroporto e tínhamos que ir para o hotel de táxi (só não tivemos sorte com o taxista kkkk). Mas dá preguiça mesmo fazer o câmbio apenas para um dia. Acho que usamos cartão apenas para pagar o hotel, mas acredito que seja bem aceito nos estabelecimentos em geral. Ah, você acabou de me lembrar uma coisa: tem que ter moedas para pegar transporte público e lembro que foi bem complicado trocar minhas notas de patacas por moedas. Tive que comprar um chiclete para conseguir as moedinhas rss Vou colocar essa info no post.
      Beijão

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