26 horas em Adis Abeba

Sabe aquela viagem que você não programa e acontece? Foi o que ocorreu com a nossa visita a Adis Abeba, capital da Etiópia. O nosso voo, que inicialmente partiria do Brasil para Hong Kong e faria uma conexão de pouco mais de uma hora na capital etíope, sofreu uma mudança e acabamos passando 26 horas na cidade!

Essa alteração foi ótima pra gente, já que teríamos tempo suficiente para rodar um pouco por uma cidade que não conhecíamos e ainda seria mais um país para marcar no nosso mapa! Para saber como foi que tudo aconteceu, clique aqui e leia o post que escrevemos sobre a nossa experiência voando pela Ethiopian Airlines.

Se você pretende ir à Etiópia e não sabe muita coisa sobre o país, seguem algumas informações:

A Etiópia está localizada no Chifre da África, região nordeste do continente africano, que levou esse nome por causa de seu desenho no formato de um chifre de rinoceronte.

Moeda: Birr Etíope

Idioma: Amárico

Email da embaixada brasileira em Adis Abeba: [email protected]

Brasileiros precisam de visto para entrar na Etiópia, que é pago na entrada no país. Caso o passageiro faça conexão de menos de 6 horas e passe todo esse tempo dentro da área de embarque, não será necessário pagar pelo visto. Para maiores informações sobre vistos e valores atualizados, clique aqui e acesse o site da embaixada da Etiópia no Brasil.

Como o nosso voo foi mudado pela própria companhia aérea, não tivemos que pagar pelos vistos. Só para matar a curiosidade, o visto é apenas o carimbo da entrada no país no passaporte.

Mapa do Mundo

Procure a seta!

Por muitos anos, pelo menos para mim, a Etiópia era símbolo de fome, já que era somente essa imagem passada para o mundo por décadas. Tanto que até hoje muita gente ainda imagina isso do país, pois ouvimos algumas perguntas neste sentido quando contamos da nossa viagem.

Adis Abeba é uma grande metrópole, sede da União Africana, uma organização que busca um continente próspero e pacífico, integrado economicamente e culturalmente, com a erradicação do colonialismo, que sempre foi tão forte em toda a África.

Sede da União Africana

Passamos na frente da Africa Hall.

Assim como as grandes cidades brasileiras, Adis Abeba também é dividida no que diz respeito à distribuição de rendas. Há partes mais ricas e urbanizadas e outras mais pobres. No geral, dá para perceber que é uma cidade menos desenvolvida para os nossos padrões, mas também não é, nem de longe, aquela pobreza que as pessoas relacionam à palavra Etiópia.

Fomos do hotel ao centro da cidade de táxi (que nos cobrou 300 birr pelo trajeto, algo que hoje seria aproximadamente 14 dólares). Paramos no centro e fomos andar pela cidade, que por sinal é super segura!

Passamos por um dos monumentos ao Leão de Judah, símbolo da monarquia do país que está presente em uma das bandeiras históricas da Etiópia. O outro monumento em homenagem ao Leão de Judah, está na primeira foto deste post.

Uma das estátuas do famoso Leão de Judah!

Uma das estátuas do famoso Leão de Judah!

Visitamos também o Red Terror Martyr’s Memorial Museum, que em português significa Museu e Memorial dos Mártires do Terror Vermelho, dedicado àqueles que sofreram durante a ditadura sangrenta do Regime Derg entre as décadas de 70 e 80, período esse marcado também por grandes secas no país.

Visitar esse museu foi, sem dúvida, uma grande aula de história do país (a mais triste história), que nos deixou chocados em saber como algo de tamanha proporção nunca sequer foi citado em nossas aulas de história na época da escola. Já relatamos uma sensação parecida em outro post, quando falamos dos nossos passeios em Phnom Penh, no Camboja (leia aqui).

Assim que entramos, um senhor (que foi vítima do regime e hoje é guia no museu) nos acompanhou e explicou cada detalhe da exposição. Inicialmente, vimos diversas fotografias da época da seca e objetos da monarquia, mas aos poucos passamos a ver fotos de vítimas do regime, documentos da época e um modelo de prisão. O senhor nos explicou como eram as sessões de tortura, que ele inclusive foi vítima, e até hoje dói só de pensar naquilo tudo que ouvimos.

Depois passamos para outra parte onde vimos ossadas, roupas e objetos pessoais das vítimas. É uma sensação muito estranha. Sim, é muito triste, mas também é importantíssimo visitar um lugar como esse, principalmente se você é interessada(o) por história.

Red Terror Museum

No sentido horário: entrada do museu, o guia explicando as técnicas de tortura, estátua das mães das vítimas e ossos de um dos assassinados.

Fotos das vítimas, modelo de prisão, ossadas e objetos pessoais das vítimas.

Fotos das vítimas, modelo de prisão, ossadas e objetos pessoais dos assassinados.

A entrada no museu é gratuita, porém há uma caixinha de doação (os turistas podem doar qualquer quantia) e nós fizemos a nossa contribuição!

O museu está aberto todos os dias das 08:30 às 18:30 e não abre nos dias de feriado.

Conhecemos também a Catedral de Santíssima Trinidade, uma igreja ortodoxa que foi construída para a comemoração da liberação da Etiópia da ocupação italiana (as tropas italianas estiveram  no país em dois momentos, sendo o último na década de 30, mas não chegaram a dominá-lo). Para entrar na catedral pagamos uma taxa no valor de 100 birr (mais ou menos 5 dólares) e é obrigatório tirar os sapatos.

Catedral Santíssima Trinidad

Fora e dentro da Catedral, eu na tumba de Selassie e Fabrício sem os sapatos para poder andar pelo local.

Uma coisa que já tinha nos chamado a atenção nas ruas e que se evidenciou na Catedral foi a presença de mulheres cobrindo as cabeças com véus brancos. Dentro do local está a tumba de Haile Selassie, o Imperador mais famoso da Etiópia, conhecido como Rás Tafári e considerado pelos rastafáris como o “Deus encarnado”. Atrás da igreja há um pequeno museu (onde não pode tirar fotos), com mostras de objetos da monarquia.

Santíssima Trinidade

As religiosas com as cabeças cobertas.

Outro local que conhecemos e que estava entre os que eu mais queria visitar foi o Museu Nacional da Etiópia, por causa de sua grande atração: Lucy, que é o esqueleto de uma fêmea australopithecus de 3,2 milhões de anos. É um dos esqueletos de hominídeos mais antigos do mundo e leva esse nome porque os arqueólogos que trabalhavam no acampamento onde a ossada foi encontrada estavam ouvindo a música dos Beatles “Lucy in the Sky with Diamonds”. Adivinhem qual a música que tocava na minha cabeça quando encontrei Lucy???

Museu Nacional da Etiópia

Na sentido horário: a entrada do museu, fragmentos do esqueleto de Lucy e outros fósseis.

O museu abriga uma série de fósseis dos mais variados animais, artefatos antigos encontrados em escavações e objetos da monarquia. Apesar de ter sido o que mais queria visitar, por causa de Lucy, não foi tão interessante quanto o Museu dos Mártires do Terror Vermelho. Mas claro que vale a visita, afinal não é em qualquer lugar que você tem a oportunidade de ver um esqueleto de mais de 3 milhões de ano, né?

O último local que visitamos foi o Parque Monumento a la Amistad Etiópia y Cuba, um espaço amplo com estátuas e painéis que retratam a época do comunismo e seca no país e demonstram a ligação entre os dois países, já que os comunistas alegam que o regime foi implantado para salvaguardar a integridade territorial do único país africano que nunca foi colonizado.

Parque Amistad Cuba Y Etiopia

Monumento e painéis retratando a seca.

Agora falando da parte gastronômica, estávamos caminhando pelas ruas quando vimos alguns restaurantes bem arrumadinhos. Como já era hora do almoço, resolvemos sentar em um deles e ver se o cardápio tinha opção de comida típica do país.

O nome do restaurante que escolhemos é Romina e o cardápio, para a nossa alegria, estava em inglês (porque ler em Amárico é a mesma coisa que ler em Grego!). Pedimos ao garçom que recomendasse algo típico e ele nos serviu dois pratos, que vou tentar explicar com as minhas palavras:

Bozena Shiro: uma massa, parecendo uma panqueca que foi cozida em água fervente e por isso tem o aspecto de uma esponja e gosto acentuado de limão. Essa massa foi servida bem quente e tínhamos que abri-la e colocar por cima um delicioso molho vermelho bem condimentado e apimentado. Basta molhar a massa no molho e comer com as mãos mesmo.

Quanta Firfir: uma massa praticamente igual ao primeiro prato só que já vem recheada com carne e um tipo de molho apimentado.

Restaurante Romina

Os dois itens do Bozena Shiro, eu e Fabrício comendo e o último prato é o Quanta Firfir.

Ambos os pratos eram muito saborosos, mas se tivesse que escolher entre um deles, com certeza ficaria com o Bozena Shiro! Bem verdade que a cara da massa é meio estranha e muitos amigos até comentaram na nossa foto do instagram que acharam a comida meio nojenta, mas podem acreditar: é muito saborosa.

E assim foi o nosso passeio de 26 horas em Adis Abeba, andando pelos principais pontos turísticos e tendo a oportunidade de experimentar a culinária do país!

Esperamos voltar um dia e poder explorar mais a Etiópia!

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19 Comentários

  1. roberto moreira de almeida

    Gabriella,

    Amei seu relato. Tenho passagem comprada para 10 de junho de 2017. Irei à Tailândia. Passarei sete horas em Adis Abeba. Sabe dizer se precisaremos de visto para sair do aeroporto e fazer um tour pelo centro da capital da Etiópia? Muito grato pelo post e pelas dicas. Roberto Moreira

    • Olá, Roberto! Tudo bem?
      Não sei se a cia aérea permitirá a sua saída do aeroporto durante a conexão. Quando fomos, a nossa conexão era longa e envolvia dormida em Adis Abeba, por isso que a Ethiopain bancou o custo do visto.
      Não tenho a certeza se você terá que pagar o visto para passar algumas poucas horas por lá, caso seja permitida a sua saída.
      Abraços

  2. Lino Marques Cardoso

    Parabéns, Gabi e Fabrício, e muito obrigado pelo compartilhar da experiência em Abis Abeba!
    Como o Fabrício, com o meu “cavalo-alado” Google Earth, viajo pelo mundo inteiro! Como nesta encarnação, nasci com um bolso raso, é a alternativa que me restou.
    Boas viagens e que cheguem a todos os países sonhados!!!

  3. Opa, Moçada.

    Muito importante pra mim o relato de vocês pois estarei indo pra Índia em Janeiro com uma conexão de 5hs na ida (esta sei que não da pra fazer nada) e uma de 17 horas na volta, chego 16h e saio 9h30 do dia seguinte. Sei que chego já no fim da tarde e só vai me restar a noite. Fizeram algo a noite, um bom restaurante talvez? O Visto que vocês utilizaram foi o de Trânsito múltiplas entradas? achou o aeroporto ok? A pegada dos taxistas são espertinhos ou confiáveis? Trocou moeda local no aeroporto? Desculpem tantos questionamentos. Grato

    • Olá, Leonardo! Tudo bem?
      O nosso caso foi de stopover da companhia e a própria Ethiopian providenciou o transfer e o visto (que é apenas um carimbo). Não fizemos nada de noite porque chegamos super cansados. No dia seguinte que pegamos um táxi, mas achamos os taxistas ok. É bom perguntar antes quanto sai a corrida só para garantir que ninguém “meterá a faca” por ser turista rs Trocamos dinheiro no hotel (cotação horrível) e no dia seguinte trocamos em um banco.
      Espero que tenha ajudado!
      Abraços

  4. Andréa

    Foi de muita importância ler esse seu diário de viagem, estou indo ao Japão agora em setembro/2016 e confesso q fiquei insegura com a escala, mas depois de ler fiquei mais tranquila, obrigadaaa

  5. Parece que o Projeto 101 Países está sempre apresentando novidades e destino inéditos né?
    Nunca havia pensado ou ouvido falar em Etiópia, acredita?
    Adorei a sua experiência por lá e já posso contar com mais um ponto legal para conhecer.

  6. Já sei onde procurar dicas quando viajar de Ethiopian Airlines hehehe. Só aqui mesmo pra achar um post desses!

  7. Acho que é a primeira vez que leio um post sobre a Etiópia, só tenho que agradecer! Acho que eu também só tinha essa visão da fome, agora mudou 🙂

  8. Gabi, que demais esse post!
    Tenho visto passagens para o Japão via Etiópia, e eu sinceramente não sabia o que esperar. Agora lendo seu relato fico mais tranquila em ir via Etiópia.

  9. Adorei o post! Uau somente informações inéditas para mim. Nunca havia pensado em visitar a Etiópia e assim como você tinha um imaginário de pura fome. mas veja que há muito por ver!
    E… pausa para uma risadinha da sua trilha sonora mental ao visitar Lucy. Acho que eu passaria pelo mesmo. Hahahahaha
    Abraços

    • A Etiópia é bem diferente do que muita gente imagina! Nada de gente passando fome (pelo menos em Adis Abeba) e uma cidade em franco desenvolvimento.
      Sempre que vejo as fotos de lá, a trilha sonora de Lucy volta à cabeça kkkk

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