Como ir de Santo Domingo a Porto Príncipe de ônibus: Caribe Tours

Quando pesquisamos as formas de ir de Santo Domingo até Porto Príncipe, vimos que a mais econômica era de ônibus e que duas empresas faziam esse trajeto: a Capital Coach Line e Caribe Tours. Devido a muitas dúvidas sobre as empresas, decidimos perguntar ao pessoal do hotel em Santo Domingo qual seria a melhor opção. Chegamos à conclusão de que a Caribe Tours era mais popular e decidimos viajar por essa empresa.

Há ônibus diários que partem de Santo Domingo em dois horários – 09:00 e 11:00. Por questões didáticas, esse post será separado em etapas:

1) Compra de passagens em Santo Domingo

Tentamos ligar para a empresa e reservar passagens pelo site, mas ficamos sabendo que não adianta tentar reservar pelo site e que as passagens são compradas no dia do embarque. Então, no dia da partida, saímos de manhã cedo com bastante antecedência para comprarmos as passagens do ônibus que sai às 09:00.

Chegamos ao escritório da Caribe Tours aproximadamente uma hora antes da saída e não havia muitas pessoas na fila. Esperamos uns 10 minutos até sermos atendidos e compramos as passagens de ida e volta. O pagamento só pode ser feito em dinheiro e há cobrança das passagens em pesos dominicanos e do imposto de imigração, que deve ser pago em dólares americanos.

A seta indica a entrada do escritório e os ônibus no terminal de embarque

Cada passageiro desembolsou (em julho de 2014):

Passagens de ida e volta: 3350 pesos dominicanos (aproximadamente U$ 77)

Imposto de fronteira: U$ 42

No momento em que compramos as passagens é necessário deixar os passaportes com o atendente. Eles fazem uma lista com todos os passageiros e devolvem os passaportes somente quando chegamos à fronteira entre os dois países. No ato da compra das passagens eles nos entregaram alguns formulários que devem ser preenchidos e entregues nas fronteiras da República Dominicana e do Haiti.

As passagens vêm com nome e número do passaporte do passageiro

Pouco tempo depois de termos comprados as passagens, o local começou a ficar lotado. Ou seja, foi muito melhor ter chegado com antecedência!

O espaço onde fica o escritório da Caribe Tours é, na verdade, um terminal de ônibus da própria empresa. Após comprarmos as passagens só precisamos procurar a plataforma e esperar pela partida.

Endereço do terminal em Santo Domingo: Avenida 27 Febrero, Esq. Leopoldo Navarro

2) Embarque 

Localizada a plataforma de embarque, ficamos esperando próximo ao ônibus que nos levaria a Porto Príncipe. As pessoas começaram a se aglomerar no local e foi meio bagunçado para entrar no ônibus.

Tudo foi bem mais fácil pra gente, já que viajamos com uma mochila pequena e por isso não precisamos guardar mala no bagageiro.

Um dos primeiros a embarcar por não termos malas para despachar

3) Durante a viagem

O ônibus é estilo os nossos ônibus executivos e é até confortável, equipado com ar condicionado, mesinha/bandeja, televisão e banheiro.

Dentro do ônibus

Logo no início da viagem, a comissária de bordo se apresentou falando em espanhol, francês e crioulo. Ela nos informou que o banheiro era somente para urinar e que se alguém precisasse do banheiro para algo diferente, que falasse com ela pois eles parariam em qualquer lugar.

Pouco tempo após a partida (uns 30 minutos) o ônibus fez uma parada para servir o almoço. A comissária serviu para cada passageiro um prato com frango, arroz, salada, um potinho com feijão e um copo de refrigerante. Eu não quis porque não gosto de arroz e não aproveitaria a comida. Segundo Fabrício, o rango estava muito bom!

A refeição de Fabrício, que foi rapidamente devorada por ele!

Como a parada é no meio do nada, os passageiros não podem sair do ônibus e comem utilizando as bandejas do assento da frente. No final da refeição, a moça oferece balas e depois passa com um saco de lixo grande recolhendo os pratos e copos.

Agora vem o detalhe mais importante para quem for se aventurar nesse ônibus!!! Como essa viagem demora o dia todo, chega uma hora que precisamos usar o banheiro, concorda??

Fabrício foi o primeiro a passar por essa experiência inusitada. Vou deixar para ele mesmo narrar:

Para quem me conhece, sabe que eu não gosto de negar nada de graça. Por isso, já tinha bebido o refri (estava incluso no preço, não ia negar!) e a garrafinha de água que tinha levado comigo. No início, tudo beleza, só alegria. Só que depois de muitas horas – umas seis, eu diria – já não aguentava mais e resolvi ir ao banheiro. ‘Sem problemas, sou homem, vou ficar em pé e a moça do busão disse que lá era só para urinar, não terei surpresas desagradáveis’. Entrei no banheiro e notei que não havia descarga. O vaso era realmente ‘um vaso’, ou seja, a cada mijão que ia lá, ia enchendo. Como já havia passado muito tempo, óbvio que a ‘piscina olímpica’ já estava bem cheinha. Ainda assim, vamos lá. Me preparei, comecei meu trabalho e aí, para minha perplexidade, a viagem que até então tinha ocorrido no plano e em linha reta, começou a ter curvas e subidas/descidas. ‘Pronto, me lasquei’ – pensei. Imagine a minha situação: o busão fazendo curva, a piscina de mijo chacoalhando (um verdadeiro tsnuami amarelo) e eu me controlando para não perder o foco e a mira. Até que me dei conta que com aquela turbulência toda de sobe ladeira/desce ladeira, faz curva para direita/esquerda, ou eu me segurava para não cair no mijo ou controlava a mira. Bem, só tenho duas mãos. Aí liguei o velho e bom ‘f…-se’ e entreguei aos céus, me segurei para não cair e literalmente ‘larguei de mão’. Óbvio que perdi a mira. Só lamentei. Ainda me lembro que fiquei imaginando se o ônibus capotasse. Não passava pela minha cabeça o risco de me ferir ou até morrer, a preocupação era o banho de mijo que ia levar em plena viagem. Por fim, voltei ao meu assento são e salvo e, por incrível que pareça, a pia funcionava bem, com sabonete, inclusive. Moral da história: se fizer essa viagem, não beba muito líquido e use o banheiro no início da viagem, pelo menos assim é garantia de que a ‘piscina’ ainda estará vazia.”

Como você pode observar, Fabrício conseguiu utilizar o banheiro. E eu?? Como deixei para ir um tempinho depois dele, me dei super mal!

O vaso sanitário estava transbordando de urina (nessa altura, ainda mais que na descrição de Fabrício) e a cada mexida do ônibus parecia que aquela cachoeira de mijo ia se jogar em cima de mim como um tsunami (não me pergunte porque esse busão não tem descarga).

Para piorar, o odor nada agradável começou a me dar ânsia de vômito. Não adiantou em nada eu estar preparada com meus lenços umedecidos e álcool em gel, o jeito era segurar mesmo!

Resultado: passei algumas horas me concentrando para não fazer xixi nas calças e quando chegamos à fronteira, falei educadamente com um pessoal da UNICEF que salvou a minha vida e me emprestou a chave do banheiro deles. Não preciso contar que na volta eu tratei de usar o banheiro logo na primeira vez que tive vontade.

4) Passando pela fronteira

Quando estávamos chegando à bendita fronteira do lado dominicano, a comissária começou a chamar os passageiros pelos nomes, entregou os passaportes e disse que tomasse cuidado. Avisou que não era para entregar o passaporte a ninguém, nem conversar com pessoas que nos abordasse. Havia vários ônibus no local e filas na imigração. Ficamos mofando um tempão até a galera do nosso ônibus ser liberada para descer, mas até que não foi ruim porque pelo menos estávamos com ar condicionado.

Tudo organizado para passar pela imigração

Com os formulários preenchidos, descemos do ônibus e seguimos na fila que a nossa comissária formou. O calor era de matar!!! Juro que parecia que eu estava no deserto, era um calor fora do comum e o local era muito seco e poeirento.

Éramos os únicos turistas entre os dominicanos, haitianos e oficiais do exército presentes

Oficiais dominicanos

Oficiais dominicanos

A imigração é bastante tranquila e ninguém fez pergunta pra gente. O oficial da imigração da República Dominicana carimbou os passaportes e devolveu rapidamente. Como já havíamos pagado a taxa de imigração no escritório da Caribe Tours, não precisamos desembolsar mais nenhum centavo.

Depois que todos os passageiros passaram pela imigração e retornaram ao ônibus (isso tudo demorou aproximadamente 1 hora) foi que o motorista continuou o caminho para passar pelo portão que serve de divisa entre os dois países.

Veja como foi o momento exato que passamos pela fronteira:

Deu pra perceber que o local é bem precário, né? Mas mesmo assim não nos sentimos inseguro em momento algum. Tomamos os cuidados de deixar os passaportes dentro da bolsa e não saímos com dinheiro nas mãos.

Comércio na fronteira

Assim que o portão se abriu e entramos em solo haitiano, entraram algumas pessoas vendendo gourde, a moeda do país. Como já tinha lido que não era muito recomendado trocar dinheiro com os cambistas, deixei para fazer o câmbio em Porto Príncipe.

Alguns minutos após passar pela fronteira haitiana, chegou a hora de parar novamente e entrar em um prédio onde funciona a imigração haitiana. Entramos na fila, entregamos os passaportes, pegamos os documentos e voltamos ao ônibus. Dessa vez os trâmites foram bem mais rápidos que do lado dominicano.

A imigração no Haiti

Seguimos viagem com um super visual de bem vindo ao Haiti!! Veja só essa foto:

Primeiras imagens do Haiti

Após passar pela fronteira precária, a vista inicial foi de cair o queixo, com esse lago lindo! Só depois de algum tempo que casinhas mais simples passaram a ocupar o cenário.

Casas na estrada do Haiti

5) Chegando a Porto Príncipe

Assim que entramos na cidade, eu estava toda alegre achando que não ia demorar muito para poder ir ao hotel. Só que a viagem dentro da cidade demora uma eternidade! Primeiro porque o ônibus parou no primeiro ponto da Caribe Tours em Porto Príncipe, depois porque a rua é estreita e o trânsito não ajuda.

Escritório e ponto de parada em Porto Príncipe – esse local é bem distante do centro

Depois de horas e horas sentada, a agonia só aumentava para chegar logo ao hotel. Só que passamos mais ou menos uma hora circulando na cidade até chegar perto do ponto final da Caribe Tours que fica em Pétionville.

Detalhe é que, como estávamos acompanhando o trajeto pelo google maps, percebemos que o ônibus iria passar pela frente do hotel e aí já fui pedir ao motorista que parasse para gente poder saltar. O motô não estava muito contente com o meu pedido, mas como eu disse a ele que estávamos com nossas mochilas, ele parou rapidamente e conseguimos sair bem na frente do hotel! Maravilha, né???

Após 9 horas, a viagem chegava ao fim e finalmente poderíamos descansar. Mas claro que antes de escurecer aproveitamos para fazer um reconhecimento de território e andamos pelas redondezas.

6) Volta a Santo Domingo

Como nos hospedamos em Pétionville, que é a parte mais rica da cidade, tivemos também a facilidade em ir andando do hotel até o ponto de saída de ônibus da Caribe Tours, que fica no mesmo bairro.

Chegamos ao local com uma hora de antecedência, mostramos as passagens e entregamos os passaportes. Tivemos que pagar mais U$ 33 por pessoa (despesa com imposto de fronteira).

Eu, que agora estava escolada, aproveitei para usar o banheiro do local!

Recebemos um cartão de embarque com o número de nossos assentos e esperamos mais um pouco até que um senhor chamou o nosso nome. Ele trabalha no local como “oficial de imigração”, pois vi que ele carimbou os passaportes, mas não devolveu.

Cartão de embarque com o número do meu assento

Embarcamos com atraso e seguimos viagem já sabendo que passaríamos o dia todo dentro do ônibus. Dessa vez, como imaginado, não paramos na imigração do Haiti e recebemos nossos passaportes quando estávamos chegando à República Dominicana. Foi na fronteira onde serviram as refeições e dessa vez nos deram garrafas de 600 ml de coca cola!!

A viagem não foi diferente da ida e demorou também bastante tempo. Dessa vez, o ônibus ficou parado mais tempo do lado dominicano da fronteira do que na ida.

Os ônibus saem de Porto Príncipe diariamente às 08:00 e às 10:00.

Endereço do terminal em Pétionville: Angle Rue Clerueaux et Gabart

Veja mais um vídeo dessa viagem:

Leia também:

Turismo em Porto Príncipe: o nosso maior desafio

Por que visitar o Haiti

Roteiro de 2 dias em Santo Domingo

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5 Comentários

  1. Lilian

    Olá boa noite!!
    Li a respeito da viagem que fizeram ao Haiti e tenho algumas perguntas se puderem me ajudar.
    Em que mês vocês viajaram? Quanto tempo ficaram? Em qual companhia aérea vocês foram? Quanto tempo leva a viajem de ônibus da República Dominicana a Porto Príncipe?

    Obrigada.

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