Campo de concentração de Auschwitz: uma aula de história e de crueldade humana

A Segunda Guerra Mundial acabou há quase 70 anos. Desde então, muitos filmes e livros foram lançados e estudamos o tema nas aulas de história durante a adolescência. Mas, há alguns anos, comecei a me fascinar mais por essa parte da história quando tive a oportunidade de conhecer Berlim. Ver imagens, monumentos e até marcas de balas da guerra fizeram com que todas as histórias que li nos livros saíssem de suas páginas e se tornassem reais.

Fabrício sempre foi fascinado por história e eu, somente gostava. Mas com o tempo fui me interessando mais e percebi que poder “sentir” um pouco da história é algo realmente incrível. Sempre quisemos visitar um campo de concentração e até incluímos esse desejo na nossa bucket list (que é a lista de coisas que queremos fazer antes de morrer).

Foi em um dia frio de dezembro que fomos parar no campo de concentração de Auschwitz e, antes de contar como foi, vou explicar primeiro como chegamos lá.

O local onde está situado o campo de concentração fica na Polônia, mais precisamente na cidade chamada Oswiecim. Para chegar lá, fizemos uma longa viagem de trem de Varsóvia (capital da Polônia) até Cracóvia (cidade linda que fica a aproximadamente 250km da capital). Chegando à Cracóvia, pegamos o micro ônibus D8 no ponto de ônibus que fica na própria estação. A passagem de ida e volta é paga com o próprio motorista e custou 24 zlots (em torno de 6 euros).  A viagem durou 1 hora e 10 minutos e o motorista nos deixou a uns 200 metros da entrada do Museu Auschwitz-Birkenau.

A entrada é gratuita e quem quiser visita guiada precisa pagar. Preferimos fazer a visita sem a pressão de horários e percorrer por onde a gente bem entendesse. Por isso, compramos um guia impresso (em português) na lojinha que fica dentro do memorial e seguimos sozinhos.

Assim que entramos no local, as nossas cabeças começaram a pensar em várias coisas ao mesmo tempo

Assim que entramos no local, as nossas cabeças começaram a pensar em várias coisas ao mesmo tempo

Criado em 1940, o campo foi inicialmente destinado aos prisioneiros políticos poloneses para prestarem trabalhos forçados. Entretanto, com o aumento da perseguição aos não alemães, foram mandados também judeus, ciganos e prisioneiros soviéticos, fazendo com que o campo se transformasse em uma fábrica da morte e o maior símbolo do holocausto.

O lugar é imenso, são 28 blocos dentre os quais 18 são abertos ao público, expondo objetos e fotografias da época, além de MUITA informação de como o campo funcionava. Há ainda exposições sobre a vida dos prisioneiros, as técnicas de extermínio e provas dos crimes.

Bloco 15 Auschwitz

No bloco 15 há uma exposição sobre a Polônia

Alojamento Prisioneiros Auschwitz

Alojamento onde os prisioneiros dormiam

Local onde os prisioneiros se banhavam de 1941 até 1945

Local onde os prisioneiros se banhavam de 1941 até 1945

Quando os prisioneiros chegavam, todos os seus pertences eram confiscados e seus cabelos cortados. Em seguida, eles eram levados para uma sala de desinfecção e depois para o banho. Após a “limpeza”, eles eram fotografados e recebiam um número de registro que, a partir de 1943, passou a ser tatuado nas pessoas.

Fiquei impressionada com a volume de cabelo dos prisioneiros que estava exposto em uma das salas. Era uma quantidade que eu não consigo nem calcular. A informação que tivemos nas placas era de que todo aquele cabelo era utilizado para fazer tapetes.

Sala de Cabelos Auschwitz

Nessa sala há uma quantidade MUITO grande de cabelo humano

Na sala havia sapatos de homens, mulheres e crianças

Na sala havia sapatos de homens, mulheres e crianças

Nessa hora eu me segurei para não chorar (até hoje fico com os olhos cheios de lágrimas quando vejo essa foto)

Nessa hora eu me segurei para não chorar (até hoje fico com os olhos cheios de lágrimas quando vejo essa foto)

A cada passo que dávamos aprendíamos um pouco mais sobre esse trágico capítulo da história mundial e ao mesmo tempo eu tinha a sensação de estar em um filme. Sim, é tudo muito real! Mas na minha cabeça era difícil compreender que o que eu estava vendo foi criação do ser humano. É simplesmente chocante, aterrorizante.

Além dos blocos, há locais abertos que também retratam os horrores cometidos dentro do campo, como o paredão de execuções e as forcas coletivas.

Paredão de execuções que fica entre os blocos 10 e 11

Paredão de execuções que fica entre os blocos 10 e 11

O sistema de segurança do campo também impressiona. São várias “camadas” de arame farpado, cerca elétrica e postos de guarda onde ficavam os soldados nazistas.

Campo Auschwitz

A placa diz “Pare!” em alemão e em polonês

Muros em Auschwitz

Além do muro alto, há cercas de arame, cercas elétricas e a guarita

Arames e cercas eletricas Auschwitz

A vigilância era constante

A câmara de gás e o crematório estão mais afastados dos blocos e dentro do local foram reconstruídos os fornos crematórios que tinham capacidade para cremar 350 corpos por 24 horas.

Crematorios Auschwitz

Eram colocados simultaneamente 2 a 3 cadáveres em cada entrada do forno

Alguns amigos me perguntaram se eu chorei, outros disseram que não teriam coragem de visitar o campo por considerarem um local “carregado” e eu até hoje não sei explicar o que senti no dia que passei visitando esse memorial. É uma mistura de tristeza, raiva, curiosidade e pena.

É uma visita muito relevante não só para aprendermos história como também para refletirmos sobre a vida e as atitudes do ser humano.

Recomendo que antes de visitar o local você leia um pouco sobre como tudo aconteceu, procure fotos na internet, leia livros e assista filmes. Acho que toda a bagagem que eu tinha me ajudou a ter um passeio historicamente enriquecedor.

Horários de funcionamento do museu:

08:00 às 15:00 – 1 de dezembro a 28/29 de fevereiro
08:00 às 16:00 – 1 a 31 de março e 1 a 30 de novembro

08:00 às 17:00 – 1 a 30 de abril e 1 a 31 de outubro

08:00 às 18:00 – 1 a 31 de maio e 1 a 30 de setembro

08:00 às 19:00 – 1 de junho a 31 de agosto

Fechado nos dias 1 de novembro, 1 de janeiro, 25 de dezembro e nos dias da Páscoa

Recomendo:

Livro: O homem que venceu Auschwitz, de Denis Avey e Rob Broomby

Filmes: A Lista de Schindler
O Pianista
A Vida é Bela
O Menino do Pijama Listrado

Veja também:

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17 Comentários

  1. Oi Gabriela! Em Junho/2016 eu visitei Dachau na Alemanha, o primeiro campo de concentração nazista. Eu gosto muito da história do mundo e sempre li bastante sobre a Segunda Guerra, mas acho que nenhuma informação nos prepara para estar nestes memoriais, não é? Eu achava que era um cliché, mas é forte ver a história em sua locação.
    Eu soube que Auschwitz é o mais pesado deles por ter sido centro das piores crueldades. As fotos que você tirou são tão melancólicas e tristes!. Você conhece outros? Concorda com essa informação?
    Eu escrevei sobre Dachau para o Espiando Pelo Mundo: https://goo.gl/rmOQx1.
    bj Ana

    • Olá, Ana!
      Concordo com você que nunca estamos preparados para visitar um local como esse. O único campo de concentração que tivemos a oportunidade de visitar foi justamente Auschwitz.
      Vou ver a sua postagem sobre Dachau, pois é ouro lugar que tenho vontade de conhecer.
      Beijos e obrigada pela mensagem.

  2. Felipe Almeida

    Gabriela, primeiramente parabéns pelo blog, tenho certeza que ajuda muitas pessoas!
    Gostaria de saber qual linha de trem vocês pegaram de Warsaw -> Krakow? Por acaso foi a EIP 5308? e quanto ao custo desta passagem?
    Estou perguntando isso para conseguir planejar melhor os gastos que terei nesta visita, espero não incomodar!

    Desde já agradeço!

    Att Felipe

    • Olá, Felipe! Tudo bem? Acabei de achar o bilhete de trem e não sei ler em polonês, mas a linha não é essa que você perguntou. Aqui tem uma sigla KM: 293 – será que essa é a linha?
      Pagamos 240zt pelas 4 passagens (ida e volta de cada um) o que hoje corresponde a 50 reais cada trecho por pessoa.
      Eu deveria ter feito uma postagem sobre a viagem de trem mas acabei me passando.
      Abraços

  3. Olá!! Tudo bem? Saber inglês ajuda muito, mas também não é nada que impeça a pessoa de viajar. Você pode até ter alguma dificuldade e por isso indico que saiba algumas palavras básicas em Polonês e, em último caso, a mímica sempre ajuda, né?Cracóvia é muito lindinha (pena que ficamos penas algumas horas). Muito obrigada pelo comentário e volte sempre aqui. Beijos

  4. Anônimo

    estou adorando seus comentários de viagens, sou uma senhora de 55 anos e"peguei" gosto de viajar sozinha.fiz em março uma viagem solo para Italia, conheci varias cidades , e amei a viagem solo.Gostaria de visitar Cracóvia,viagem solo, não falo ingles, apenas espanhol e o bom portugues, será que não vou passar muito perrengue na Polonia? bjs e felizes viagens.

  5. Sabe que não sei se tem como uma pessoa estar preparada para essa visita?? Depois de Auschwitz, me senti mais encorajada para conhecer outros campos de concentração. É triste e interessante ao mesmo tempo – não sei explicar. Bjs

  6. Fui criada em meio aos livros de história, onde muitos e muitos volumes se referiam a II Guerra. Li muito sobre o assunto e acho, que de certa forma, todos conhecemos um pouco, pelo menos através do cinema. Mas em nenhum momento tive certeza de estar preparada para essa visita. Tenho um pouco de vontade, talvez ainda a faça, não sei. Mas adorei o post e sua visão sobre o conjunto histórico e seus significados. BjO!

  7. Obrigada!!! 🙂
    Vale muito a pena visitar.
    Abraços

  8. Parabéns pelo post Gabi ! Muito bem escrito e com informações muito relevantes…ainda é um dos lugares que quero visitar !!!
    Abraços
    Erick Stengrat

  9. É um passeio importante para refletirmos muito sobre a vida.
    Fico feliz que tenha gostado do texto. Obrigada!

  10. Passear pelo campo de concentração, muito mais nessa época de pouco amor ao próximo, é uma experiência que todos deveriam ter. Quem sabe assim, diante das imagens de atrocidades humanas, a gente, como vc mesma disse nesse texto maravilhoso, repense e revalore nossas próprias atitudes.

  11. É uma passeio triste mas necessário.

  12. Kely

    Muito triste mesmo Gabi.. não dá pra acreditar que isso foi obra de seres humanos..
    Mas foi muito bom também poder aprender um pouco mais da história através das suas palavras.

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